[GSK] Relaxando e liberando os medos

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 4 de dezembro de 2015


Nós precisamos falar sobre esse tema: relaxar e liberar medos.

É curioso que cada um de nós, em nossa tensão, encapsulamos tipos diferentes de medo. Vocês conhecem isso: medo de não ser reconhecido, medo de não ter a última palavra, medo de não sair bem na foto, medo de não cumprir uma promessa... O medo é um elemento constante que visita a gente. E a gente acaba se contraindo. E é curioso pois na medida em que a gente contrai a musculatura, a ossatura, a gente está se contraindo num mecanismo de defesa, embora a liberação do medo passa necessariamente pelo movimento oposto. Não existe liberação de medo sem relaxamento.


Agora eu quero falar de uma parte oculta do relaxamento. E a parte oculta do relaxamento no Kundalini Yoga está escrita nas entrelinhas. É muito simples e eu não quero complicar. Talvez uma das maneiras fáceis de compreender isso é: quando você está na eminência de não conseguir algo, de ter um projeto frustrado, numa tensão de quando algo que você precisa fazer ou quer fazer está na eminência de não se realizar, estou falando dessa situação. Existe uma tensão que é intelectual, outra que é moral e outra ainda que é física. Essas três tensões são dissolvidas com o espírito. Como?


Vocês estão vendo uma pessoa não romântica e não mística explicando como dissolver esse medo com a força do espírito. E é totalmente prático. Se eu estou aqui e quero chegar ali e, nessa distância, uma série de obstáculos se elevam, a coisa mais comum que nós fazemos é ficar na fase ensimesmada e dizermos a nós mesmo o quanto a gente merece, ou o quanto o projeto merece, ou o quanto é do destino você alcançar isso. A gente cria um drama. A maioria de vocês faz isso. Quando vocês sentem que não são ouvidos, vocês dramatizam além de vocês. E quando a gente faz isso, dramatizar além da gente, nós criamos uma tensão sobre nós, ainda que tentando dizer para o mundo inteiro que "o que" queremos alcançar é importante. E como é a maneira clássica de incidir uma luz sobre isso que queremos? O que vocês fazem? Brigam! Desentendem! Um aspecto é: vocês defendem esse "o que". O outro aspecto é: quando vocês não têm mais forças para defender e brigar, vocês categorizam aquelas pessoas que não estão apoiando o objeto como algozes. E assim a gente fica uma, duas vidas perenemente. Nunca vocês vão dissolver os obstáculos fazendo isso. Nunca! Porque quando vocês ficam reverberando o seu intelecto, a sua emoção, a sua força e sua tensão no "o que", vocês estão tirando força daquele elemento oculto (vou falar dele já já) que pode dissolver os obstáculos. O jogo mais clássico de permanecer no "o que" é o jogo da vítima.


A gente precisa não ficar estagnado nesse "o que", e no Kundalini Yoga a gente aprende isso, que é emprestado do Dharma! Para onde a gente vai? A gente não vai no "como"! O "como" seria assim: "como que eu vou atravessar isso daqui?". Não importa. Porque o "como" pode nem precisar existir na medida em que os obstáculos se dissolvem. Alguns de vocês estão tentando descobrir o "como". Não, o "como" não é importante. O que é importante? O propósito, o "porquê", a virtude, a intenção. Que está em algum lugar entre os obstáculos e a meta. A intenção não tem um lugar definido, mas ela é emitida por quem? Somos nós que emitimos a intenção.


O que acontece quando você é motivado por uma intenção? Se eu quero alcançar uma coisa que está lá e tem uma zona de obstáculos que está aqui, a coisa mais importante que eu preciso o tempo todo vibrar é a intenção. É a razão pela qual aquilo lá, a meta, é fundamental para eu viver ou morrer.


Ao invés de me colocar em disputa e tentar convencer todos os obstáculos, estejam eles presentes na cabeça de indivíduos, na cabeça de instituições, ou presentes na cultura, da política, não importa... Ao invés de me preocupar em responder a eles, fortalecendo a coisa, eu preciso vibrar a minha intenção. E não me preocupar de forma alguma com os obstáculos.


Quando eu vibro a minha intenção, o que acontece fisicamente? Os obstáculos dissolvem! E por que dissolvem? Devido ao princípio da ressonância. Isso é uma teoria infalível. Não tem como ela dar errado. O contrário dá errado o tempo todo. Exemplo da Apple e da Samsung. Porque todo mundo quer comprar um produto do Apple? A Apple lança um produto e três dias antes tem gente fazendo fila para ser o primeiro para comprar, enquanto a Samsung lança um produto e precisa fazer uma mega propaganda três meses antes. Por que? Olha a diferença. A Samsung lança um produto e diz: "Este é o meu celular". A Apple lança e diz: "Você quer liberdade?" Ela vai onde? Na intenção! No valor.


Todas as pessoas e todos os projetos que vibram a intenção transformam a zona de obstáculo.


Por isso que todas as vezes em que você estiver na posição de vítima ou de algoz, você está aumentando a sua zona de obstáculos e você vai ficando cada vez mais distante do seu propósito. "Ah, mas vibrar a intenção pode demorar muito pra eu chegar lá". Às vezes sim, às vezes não. E se houve demora, por que ela aconteceu? Porque você precisa construir um alcance de realização. E quem é que vai fazer seu objetivo se realizar de forma adequada? Quem? Onde estão as pessoas ou as coisas? Para que o seu propósito seja realizado – além de você mesmo, porque sem você mesmo não existe nada – você precisa de quem está nos obstáculos. Você precisa justamente de quem não pensa como você. Quanto mais crítica e quanto mais crítico for a sua crise com os obstáculos, mais tempo será necessário para você inspirar a transformação. Quanto mais tempo você passar na posição de vítima ou algoz, mais tempo será necessário para que você realize o seu propósito. Mesmo quando você começa a vibrar a intenção, a historia é: vibrar na intenção logo e realizar o menor número possível de atrito na posição de vítima, porque isso atrasa a realização do seu propósito. Isso é matemático.


O que é importante nas nossas histórias pessoais e institucionais é ter um propósito e vibrar o propósito. O propósito não é uma coisa que tem forma. Aí vai a minha última peça. O propósito não tem forma. Quando você vibra o propósito, ele pode se realizar numa outra forma. Enquanto você estiver preso numa ideia preconcebida, você vai impedir que seu propósito se realize. Não necessariamente ele precisa vibrar na forma que você preconcebeu. Por isso que eu disse que isso é o campo do espírito, o campo do sem forma, o campo de Deus. Isso é maravilhoso quando a gente entende e quando a gente se liberta desse "ter que" realizar "aquilo". Está claro para vocês? Experimentem colocar isso em prática.


Aluno: O propósito sem forma pode vir na forma de um valor?


GSK: Não é que seja importante o seu propósito não ter forma. Pra começar esse jogo é muito importante ele ter uma forma. A história é você não se prender na forma. Vou dar um exemplo prático. Isso que eu estou falando é pra quem não veio à aula hoje e deveria estar aqui (e eu não vou falar o nome de quem, não). A segunda maior sabotagem da realização de destino – a primeira foi a vítima – é o atraso; é quando a gente não consegue e não cumpre os nossos prazos. Mas isso se dá porque nós somos velhos imaturos. E na hora que o negócio pega a gente tem pra quem correr. Mas para aquelas pessoas que não tem pra onde correr para serem socorridas, elas são seu próprio socorro. Elas logo aprendem. Um grande mal que as famílias fazem aos seus filhos é lhes ceder sempre esse amparo. Isso é muito, muito, muito ruim. A força de vibrar a intenção é proporcional à necessidade que você tem de sobreviver. Se a sua necessidade de sobreviver está garantida, você não tem força de intenção; você tem fantasia, mas não força de intenção. Por isso que é bom na vida a gente ficar arrasado, perder tudo, ficar desesperado, querer morrer... Morre! Melhor coisa é morrer, para começar de novo. É muito bom morrer!


Eu tenho que cumprir com a minha palavra. Não é possível que no meu primeiro desafio, eu vou chegar e chorar; igual vocês fazem. Igual vocês fazem todos os dias me ligando e chorando. Eu não posso fazer isso porque é muito humilhante para o meu próprio propósito. Por isso que mesmo os seus erros do passado servem para alguma coisa, se você, claro, estiver no propósito do seu espírito.


Parem de dar o caminho das pedras para seus filhos. Deixem-nos perder tudo, morrer. Quantas vezes a gente pode morrer? Várias! Infinitas vezes!


A aula de hoje é sobre isso. Fiquem concentrados na intenção. O "como" vai dissolver. O "como" vem do infinito, vem do desconhecido, vem de Deus, se a sua intenção permanecer fiel.


KRIYA: Kriya para relaxar e liberar o medo, Livro I Am a Woman, p. 59.

Meditação na Mãe Divina - Para cura da mente e realização de desejos, do manual Transitions to a Heart-Centered World, p. 141.


Essa é uma aula para relaxar e liberar medos. É uma serie que vai trabalhar demais nos fígados e nos rins. Esse tema pode ser abordado no Nível 2, "Estilo e Ciclo de Vida", que teremos em março. A gente precisa mudar o curso do nosso desassossego. Nós precisamos obter sucesso. E nesse momento de grande crise – econônima, política e cultural - no Brasil, é muito importante a gente realizar isso.


May the long...


[Transcrição: HariShabad Kaur Khalsa]

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