[GSK] Aprendendo a vibrar com o som do Universo

Aula ministrada por Gurusangat em 3 de abril de 2020


[GSK abre a aula]


Hoje inauguramos uma fase nova dentro do trabalho desse livro. Temos trabalhado esses meses todos com um aspecto que nos impede de compreender, não só de compreender, mas de viver no espaço sagrado.


O espaço sagrado não é uma condição dada, é cultivado. Ele está lá. Se nos deixarmos levar pelo nosso modo mais arcaico de vida, baseado na nossa defesa, vamos erguer paredes, ou melhor, vamos nos retirar e nos enclausurar dentro de uma unidade mínima de sobrevivência. Essa unidade mínima de sobrevivência não nos permite experimentar o campo.


O campo está lá, estejamos abertos e integrados a ele ou não. Não é uma condição dada apenas para um ser de luz – que, inclusive, não existe. Todo ser é de luz e trevas ao mesmo tempo. Estamos vendo isso duramente, inclusive com o nosso próprio professor. O campo é como se fosse um espaço benevolente, neutro. É um espaço muito inteligente onde podemos habitar, desde que cultivemos essa relação com ele.


A condição para cultivar a relação com o campo, como temos trabalhado até aqui, é não negar as emoções. Não negar que temos profundas marcas, dores e traumas registrados nas nossas amígdalas cerebrais, e que isso tem um reflexo muito grande na maneira como reagimos quando colocados em uma zona de desconforto. Depois, é entender como processamos essa informação que chega até nós e como aplicamos nossa inteligência para não reagir, mas para responder.


Hoje começaremos um trabalho muito sofisticado na mente. Acredito que agora vocês já podem fechar os olhos e ir para o campo, porque cultivaram essa relação. Portanto, podemos começar um trabalho de preparar a mente para que ela, no campo, conheça e vibre junto com anahat.


Há dois tipos de som: um é ahat, o outro é anahat. O ahat é o som que se cria, como o som da nossa voz ou de um instrumento. Há a necessidade de movimentar e reverberar uma coisa na outra para que esse som seja criado. Ele tem um tempo e reverbera até que pare de existir. Já o som anahat nunca precisa ser tocado para poder existir. É a energia que move todos os universos. Os universos do nosso cosmos não se movimentam com base em gasolina, óleo diesel ou álcool. A energia do universo, segundo os textos yoguicos, é anahat: a base, o som primal.


O instrumento que temos que mais se aproxima de anahat é o gongo. Ainda assim, é um instrumento que produz ahat, porque precisa ser tocado. Um gongo não toca sozinho. Mas, quando é tocado, vai para os sons mais primais possíveis, chegando quase na unidade mínima de som do universo.


A partir de hoje vamos começar a treinar a mente e o corpo para que, quando nos aproximarmos do campo, possamos permitir e vibrar na frequência de anahat. Essa é uma tarefa bem grande. Mas, como sabemos, no yoga as grandes conquistas vêm de passos humildes e quase inexpressíveis. Começamos muito pequenos e, quando menos notamos, estamos vibrando em anahat. Não existe uma fórmula para saber se estamos vibrando em anahat. É uma experiência intuitiva, como a qualidade de shuniya. Apenas sabemos.


Hoje não vamos eliminar dores na mente. Vamos preparar esses nadis, essas cordas, os meridianos por onde o naad caminha, para que possamos fazê-los vibrar sem tocá-los.


Kriya: Cleaning the mind I, do manual Rebirthing


Essa experiência pede que não se esqueçam de tomar muita água durante o dia. Muitas dessas toxinas sairão pela urina. Sempre que trabalhamos a integração do campo finito com o campo infinito, necessariamente, saímos do modo defesa e entramos no modo crescimento. Nosso sistema imunológico sempre se beneficia, o que é importante nesse momento.


Recomendo que se juntem a nós para meditarmos na Sadhana ou às 18h, porque os tempos estão muito duros. Dessa semana para frente, talvez, passaremos por uma dor coletiva grande, quando começarmos a nos deparar com muitos casos de morte por Covid-19. Além de estarmos presos, digamos assim, na nossa quarentena, ainda precisamos lidar com toda a instabilidade quanto ao nosso trabalho, ao nosso futuro e com a morte.


O shabad do início da aula foi composto em momento de grandes pandemias no século XVI. Havia muita dor e sofrimento. Era tocado nos autofalantes de vários centros de estudos e Gurdwaras na Índia para trazer as pessoas para esse lugar de conforto quando elas estavam muito ameaçadas. É um shabad para aqueles que estão doentes, particularmente. Recomendo que o deixem tocando baixinho por algum tempo no seu dia, para que ele alcance essas pessoas. No Brasil, nem sabemos onde essas pessoas estão, porque não estamos testando a população.


Ontem o Ministério da Saúde anunciou que o coronavírus entrou no Brasil em 21 janeiro. Ou seja, muita gente foi contaminada, porque no carnaval esse vírus já estava se espalhando por aí. Há um caso curioso de morte de uma pessoa relacionada à minha família em Uberlândia. Menino jovem, casado, pai. Sua mulher estava grávida, perto de dar à luz. Ele teve uma pneumonia e morreu em uma semana. Ele comentou: “Sinto que estou respirando debaixo d’água”. Essa é exatamente a fala das pessoas que estão com esse adoecimento.


O vírus está por aí. É muito importante tomarmos os devidos cuidados conosco e com as pessoas à nossa volta. A grande preocupação no Brasil são as pessoas em risco e vulnerabilidade nas ruas, favelas e vilas. Temos que nos responsabilizar no nosso domínio e espalhar esse vírus o menos possível.


May the long time sun shine...


[Transcrição: Devaroop Kaur]

[Edição: Nav Amrita Kaur]

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