[GSK] Abraçando o tempo da complexidade

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 31 de maio de 2019


[GSK abre a aula]


Nesse semestre trabalhamos todas as manifestações do ser humano no processamento da realidade pelo triângulo inferior. As emoções que são a chave do triângulo inferior são a raiva, o apego e a avareza. São emoções que ajudam a processar o meio, servem como alerta e são transversais em campos políticos, ideológicos, culturais e sociais. Ou seja, uma pessoa muito bacana, aparentemente, de esquerda, ou uma pessoa muito idiota, aparentemente, de direita, ou vice-versa, sofre do mesmo mal. Cada uma tem uma resposta para o mundo e sua linguagem é diferente, porém a base é a mesma. O triângulo inferior é um método de processamento que independe de raiz cultural ou de envergadura intelectual. Ele atravessa o ser humano, basicamente, na medida em que aquele ser humano tem medo. A base por trás daquelas três emoções anteriores é o medo.


Pensando nas manifestações de ontem me veio muito claramente que na medida em que os processos ficam mais avançados a psique terá que evoluir para enfrentar um mundo cada vez mais complexo. Yogi Bhajan dizia que se não quisermos envelhecer antes do nosso tempo, precisaremos rever a nossa escala de crenças continuamente. Se nossas crenças não mudam para abraçar a diversidade que vai ficando cada vez mais complexa, inevitavelmente cairemos no processamento do triângulo inferior, que é sentir medo. Então responderemos à realidade com raiva, apego ou avareza. Observando os nossos ministros, podemos ver que quando eles olham a realidade o processamento ocorre totalmente no triângulo inferior.


A realidade está muito complexa. Os modelos educacionais precisam ser muito amplos e complexos. Se o modelo não abraçar a diversidade, se houver apego ao modelo anterior, não responderemos ao tempo. Temos um governo ultraconservador que tenta usar um modelo que valeu para quando a sociedade era muito simples. Quando eu estudei, por exemplo, tudo era simples, não tínhamos muitas questões. Do ponto de vista social nós não nos deparávamos com uma diversidade, com uma complexidade. Aquele modelo serviu para os anos sessenta, mas não serve para hoje.


Sempre que, diante de uma realidade complexa, nos apegarmos a um tipo de crença que deu certo no passado e tentarmos aplicá-la no presente, possivelmente teremos problemas. Isso vale para todos nós. Ao enfrentarmos uma realidade cada vez mais complexa e desafiadora, se nos apegarmos a modelos com os quais processamos relacionamentos há dez anos, acabou! Não resolveremos nosso problema.


O triângulo inferior adora o campo do conhecido. Ele quer pegar medidas que deram certo no passado e aplicar no presente. Essa é a sua base: segurança. Nunca se arrisca. Está ótimo ficar no mesmo lugar. O triângulo superior, ao contrário, precisa cair naquilo que ainda não foi experimentado.


A partir de hoje começaremos a compreender o processamento no triângulo superior. Com certeza haverá medo. O que faremos? Vamos com o medo. Com certeza haverá apego. O que faremos? Vamos apegados, e assim por diante. Aprenderemos a reconhecer, a partir deste momento, os motivadores do triângulo superior. Mas primeiro faremos uma aula para o sistema glandular.


Evolutivamente, o sistema nervoso não mudará tão cedo. Se estamos diante de uma realidade em que tudo pode ser controlado, nosso sistema nervoso absorve aquela realidade. Se estamos diante de uma realidade em que não se pode controlar nada, o sistema nervoso vai para essa mesma realidade. A mente negativa continuará mapeando primeiro a realidade. Não tem jeito. Nós ainda não nos confirmamos no firmamento evolutivo. Precisamos da mente negativa.


O que pode mudar muito é a resposta que damos para a realidade. Em realidades muito sob controle, quase de laboratório, o sistema que dá a resposta é o hormonal – respostas pálidas, porque tudo está controlado. Quando a realidade é muito complexa, é a mente negativa que ainda nos traz primeiro a informação. Ela a traz com todos os alarmes acesos. Mas aquilo que pode mudar a cada segundo, que, na mulher muda a cada duas horas e meia e no homem a cada ano, é o sistema hormonal. Podemos ter uma grande e intensa criatividade no sistema hormonal. Esse é o triângulo superior.


Faremos um trabalho no triângulo superior para mobilizar o nosso sistema hormonal e começar a produzir hormônios poderosos que não produzimos quando estamos atuando sob medo e temendo a complexidade.


Kriya: Energizando o sistema, do Manual para o Proprietário do Corpo Humano


Meditação: NM 0334, do Sat Nam Rasayan


Yogi Bhajan chamava essa meditação de acupuntura cerebral. Ele deu essa aula quatro anos antes de morrer e disse uma coisa bem interessante sobre a complexidade dos tempos. Lá nos anos 2000, quando alguns de vocês estavam nascendo, realmente quase nada acontecia. Sabíamos que o negócio ia ficar feio, mas ninguém sabia que ia ficar desse jeito. No curso de formação já falamos da Era de Aquário, da complexidade, que nada ficaria encoberto, que tudo seria revelado, que não daria mais para se esconder...


Mas Yogi Bhajan dizia que quando os tempos ficarem muito complexos e difíceis e todo mecanismo que aprendemos até hoje para lidar com esses tempos falharem, buscar abrigo na fé ou na religião não vai ajudar. Também pouco ajuda nos recolhermos no nosso sucesso. A única coisa que vai ajudar nesse momento é insistirmos em legar para as futuras gerações um mecanismo de lidar com a realidade baseado na inteligência aplicada e na disciplina. Porque tudo vai tremer e cair, inclusive a religião.


Yogi Bhajan nos convida a fazer essa meditação dizendo o seguinte: todos os seus relacionamentos, toda a interpretação da realidade que fizeram até hoje, foram baseados apenas e tão somente naquilo que conheciam. Havia um modelo daquilo que era conhecido. A partir de agora, vocês terão que aprender a entrar numa realidade e avaliar aquela realidade a partir do que nunca ouviram falar. Esse é o grande desafio para o ser humano. Ele dá essa meditação dizendo que o único instrumento que temos para olhar para a realidade complexa dos tempos que virão é usar o terceiro olho. Essa meditação é toda para o lobo frontal. Na medicina de hoje se sabe que se não sairmos do sistema límbico e interpretarmos a realidade com o lobo frontal, já era! Seremos um dos mecanismos envolvidos nessa engrenagem de moer tudo e todos.


"May the long time sun shine upon you..."


[Transcrição: Karamjeet Kaur]

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