[GSK] Sobre fazer sentido e servir

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 23 de junho de 2017.


[GSK abre a aula]


No Festival Internacional, o ponto alto do ponto de vista do espírito foi a cozinha. Do ponto de vista técnico, foi a aula com o Sat Bir, que é o professor da Faculdade de Medicina de Harvard e mostrou uma série de pesquisas publicadas, com o que é muito importante na pesquisa médica, com grupo controle. Para yoga, isso é muito importante, porque as pesquisas não tinham grupo controle. Então você não tinha realmente como afirmar, mas são pesquisas com grupo controle e a maioria delas com técnicas do Kundalini Yoga. E foi espetacular a gente ver o que a gente já sabe, mas ver com números e numa perspectiva acadêmica, o que é muito bom. Outra coisa que me chamou a atenção na palestra foi ele mostrar o crescimento do interesse pelo yoga. Não sei se todos vocês observaram isso, nos últimos anos. Havia um crescimento quase que controlado, lento e gradual, mas, de repente, o crescimento nos últimos cinco anos se torna exponencial, e isso mostra que, na psique das pessoas, o yoga é uma ferramenta inegável de ajuste de mente e corpo. Isso cria uma responsabilidade ainda maior em nós, de um ponto de vista técnico, agora mais do que nunca em sermos um diferencial e sermos professores que fazem sentido.


O Yogi Bhajan falava em uma época em que o que ele dizia não era comprovado, mas ele dizia: na era de aquário as pessoas vão aparecer em multidões atrás de vocês. E aquelas fotos, americanas, que o Sat Bir mostrou, é impressionante ver a quantidade de pessoas atrás do yoga e a grande maioria em sofrimento psíquico. Então vocês, meninos, que estão saindo de Miri Piri com o curso de formação de Professor Aquariano nível I e II, é muito importante vocês saberem que as pessoas que vão buscar vocês, seja onde vocês estiverem, não porque vocês têm um certificado, porque ninguém vai ver o certificado de vocês, mas pela frequência que vocês emitem, elas serão atraídas por vocês porque elas estarão em sofrimento psíquico, há muita dor, há muita depressão, há muito caos, e nós temos que servir. Então foi incrível ver isso, foi muito bom nós nos assentarmos ali e criarmos uma sintonia em torno do tema do sofrimento psíquico e do ajuste do corpo e da mente e o Kundalini Yoga.


Aluna: Achei interessante também ele mostrar o aumento da estatística de médicos que

têm indicado yoga.


GSK: Eu acho que é puro desespero, puro desespero, porque chega um ponto em que o médico não tem mais o que fazer. Então, antigamente eles receitavam remédios, mas agora os remédios não funcionam. E como tem sido publicado, o médico lê, e para vocês que trabalham com cura, seja no consultório, seja no Sat Nam Rasayan e se você estiver na sala de Kundalini yoga tem a publicação de alguns médicos, inclusive o Sat Bir, sobre tudo que a ciência tem publicado sobre yoga e Kundalini yoga, com metodologia científica para combate e tratamento de doenças psíquicas, especialmente no campo da ansiedade e transtornos ligados à ansiedade. E acho importante para vocês, professores de Kundalini Yoga, realmente conhecerem um pouco mais dessa linguagem técnica e desses resultados, porque se um profissional e uma pessoa chegar até você indicada por um profissional e você vem com aquele papo de nova era, de 10 anos atrás, acabou. Você não pode ficar com esse papo de energia, chacra, essa linguagem já era! Desde que vocês foram gestados, a gente tem falado, cuidado com essa linguagem. Por isso leiam essa publicação, para vocês se apropriarem dessa nova linguagem, que é a linguagem do Kundalini Yoga, e saírem dessa tribo que usa luz e chacra para falar da ação do yoga no corpo. Esse público está cada vez menor e o público que está atrás de vocês por causa de uma questão clínica é cada vez maior. Isso é importantíssimo. A aula de hoje está no manual "Radiância e Vitória, o caminho para a prosperidade da mulher".


Kriya para vitalidade física e mental, de 1970, em Espanhola. Meditação: escolher a pose de contemplação favorita.


Entoar de olhos fechados o mantra "Man Jeeté Jag Jeet", que significa quem controla sua mente controla o mundo. Após a meditação: relaxe a pose, continue de olhos fechados, continue em seus 50 trilhões de deuses vibrando "Man Jeeté Jag Jeet". Deixe que os anjos sejam a sua guirlanda de luz, aumentando a sua radiância, ela trabalha nas quatro direções. Deixe que o darma seja sua luz de ignição em todos os seus atos, que a corrupção te abandone para sempre, que a excelência seja o seu cartão de visitas. Deixe que a sua confiança e a confiança do outro em você sejam sua vitória. Que você jamais desonre ninguém. Deixe que a pureza do seu coração seja a sua âncora, a bondade o seu escudo, a coragem a sua inspiração. Que você seja e esteja sempre em paz e que sua mente esteja sempre sob seu controle, que você exista em graça.


Continue no seu espaço meditativo, este é o momento para você se projetar em plena paz. Inclua no seu campo de paz todos aqueles que você acredita precisar, alunos, pacientes, amigos, familiares. Você criou um escudo muito amplo de luz, uma radiância divina, dármica, não ofereça nada para quem precisa, apenas inclua quem necessita nesse campo, você não sabe de nada. Abençoe nesse campo de luz aqueles que partiram da Terra, que estejam relacionados a você de alguma maneira. Vocês criaram um campo de cura muito grande e agora se abençoe nele e feche o ciclo das pessoas. Fica só você. Traga suas mão em Pranam Mudra.


[GSK encerra a aula]

May the long time sun shine upon you


Esse mantra da meditação de hoje está no cd Longing da Krishna. Ela estava trabalhando nele, quando eu estive na casa dela e fique lá durante um tempo, quando fiz o meu tour para levantar dinheiro para a Escola Miri Piri. Fiquei no sul da Califórnia com ela. Na época ela estava trabalhando numa autobiografia, contando a vida dela com o Yogi Bhajan especialmente e depois começou a trabalhar nesse cd. A autobiografia ainda não foi lançada, mas eu acho que é algo maravilhoso.


Krishna mora em Los Angeles, pertinho do Ashram. E ela tem uma casa daquelas típicas de Los Angeles, de três andares, com um jardim e horta. Ela aluga o primeiro andar, o terceiro andar é a sala de yoga e o segundo andar é onde ela mora. Um dia eu cheguei em casa, quando entrei, ela estava assentada na mesa de trabalho e perto da mesa tem uma televisão porque ela adora esportes e assiste esportes o tempo todo. Ela estava na mesa de trabalho dela, chorando. Perguntei se havia acontecido alguma coisa e ela me respondeu: ‘memories’... e ela gravou as memórias nessa música que está também nesse cd. Então ela se lembrava do Yogi Bhajan. É muito lindo, e ela fala: "você sempre me disse que quando eu precisasse de você, você estaria comigo, mas não está. Em minhas memórias, você me ensinou de ver as belezas do mundo através dos meus próprios olhos..." e assim vai. Falei com ela: “Krishna, posso te fazer um chá?” Ela me falou: “senta aqui, vou te contar. Eu estava lembrando do dia em que eu cheguei para trabalhar na companhia.” Eles tinham uma companhia de produtos de beleza chamada Rainbow. Ele fizeram essa companhia de produtos de beleza justamente porque o Ashram era em frente a uma grande casa de LGBTQI... em Los Angeles. O Yogi Bhajan criou Rainbow, cremes para a pele, porque o público falava que era impossível eles não terem produtos de beleza. E foi feito um concurso e o nome dado a companhia ficou sendo Rainbow, e essa companhia ficou muito famosa.


Um dia o Yogi Bhajan entrou do nada e falou para a Krishna como um trovão: "você está despedida, agora!" E ela: "o quê?" E ele: "despedida agora, passa no setor pessoal e acerta tudo e rua". E ela pirou, querendo saber por que estava sendo despedida do nada, sem aviso prévio, querendo saber o que tinha feito. E começou aquele drama: o que eu fiz? O que eu fiz? E ele falou para ela assim: "não me pergunte mais nada, rua". Ela foi, passou no setor de pessoal, pegou o dinheiro dela, mas estava furiosa. E ficou 10 anos sem aparecer, 10 anos numa luta com ela, querendo saber o que tinha acontecido. Ele tinha dito, quando a despediu, que se ela quisesse compreender o que tinha acontecido, poderia procurá-lo. Mas ela não ouviu, porque estava furiosa. Por 10 anos ela tentou compreender. Saiu da Rainbow, mas criou sua própria companhia, e dessa companhia, comprou sua casa, comprou outra casa semelhante a essa, em que ela fez de asilo para imigrantes negros que chegam em Los Angeles, comprou outra casa que ela fez não sei o que, ela comprou Los Angeles. E aí um dia ela estava meditando, fazendo uma Sadhana, sempre com ele na cabeça, sem compreender. Então parou e escutou uma vozinha, como se fosse o Yogi Bhajan falando: "you have no body, no spirit...". Ela até põe o Yogi Bhajan no mantra falando. Ela precisou de 10 anos para lembrar da voz dele e para procurá-lo. Ele então falou para ela que a resposta tinha se diluído e que ele quase não tinha mais nada para dizer. Ela pensou, mas não é possível!

Porém, ele explicou: "você era a pessoa mais perversa e má que eu conheci na minha vida, você é uma negra que tripudiou de todo mundo com base naquele princípio de que a sua raça inteira foi tripudiada, então você se autorizava tripudiar. Ninguém suportava você, mas as pessoas te toleravam. Você estava criando uma dependência porque achou que eu te daria uma cobertura só porque você é negra e teria emprego comigo para o resto de sua vida. E você morreria com uma pensão que eu te daria, mas você é a Krishna, você precisava se erguer e criar seu próprio império e deixar seu império servir e para isso você precisava sair desse lugar culturalmente acomodado onde você teria por direito a esmola que chegaria até você. Porque você culturalmente achava que há uma dívida com você. Foi muito duro fazer isso, mas você precisava de cair na sua própria realidade". Então ela está escrevendo isso no livro dela com as palavras e interpretação dela.


Em 10 anos de sua vida, a única coisa que ela fez foi pensar que precisava servir e que esqueceu que era negra. Não que tenha esquecido sua identidade, mas esqueceu que vivia sob a dívida que a sociedade teria com ela e nesses anos ela colocou toda a energia dela para recriar a comunidade negra norte-americana. Eu não sei se vocês sabem que o irmão dela era usuário de drogas e morador de rua. E ela por muitos anos acabava com o irmão, porque não compreendia a situação dele. Ela achava que aquilo era uma mácula para a comunidade negra. Ela tinha todo esse preconceito e entendia menos ainda o Yogi Bhajan, porque todas as vezes em que ela encontrava o irmão nas ruas, levava para o Tantra e o mandava conversar com o Yogi Bhajan. E ele dizia para a Krishna: "ele é um sábio, eu não preciso fazer nada por ele". E o cara era um morador de rua, usuário de drogas e o Yogi Bhajan só dizia que ele era um sábio. Isso pirou o eixo dela. E esse final de 10 anos coincide com a ida dela até a rua encontrar o irmão dela e ele tinha morrido naquela noite, nas ruas de Los Angeles, com uma overdose.

Ela então resolveu fazer o funeral dele e primeira coisa que veio na cabeça dela foi fazer o funeral numa das casas dela, mas depois resolveu fazer na rua onde ele morou. Ela conta que que ela nunca viu tanta gente de terno e gravata descer para o funeral, todos brancos, típicos norte-americanos. Ela perguntava o que eles estavam fazendo lá, e eles respondiam que o irmão dela era o professor deles, era o orientador e conselheiro deles. Esses 10 anos quebraram a Krishna em mil pedaços para ela compreender uma identidade além da cultura. E o irmão dela completamente na droga, morador de rua ser a referência espiritual para aqueles homens brancos de terno e gravata, então mudou a vida dela e foi daí que ela foi lentamente voltando e esse cd é em memória a isso. Isso quebra também a lógica de que a gente tem de curar todo mundo, existem pessoas que já nasceram curadas e vão passar pela experiência delas. O irmão da Krishna é um desses, escolheu viver o darma dele na rua. É difícil para nós compreendermos, mas o Yogi Bhajan sabia e ele nunca corrigiu o irmão da Krishna, pelo contrário, ele saía dos encontros dizendo: ‘Waheguru, ele é um sábio!’ E ela perguntava se não o tiraria da droga, mas o Yogi Bhajan dizia: ‘Shut up’, idiot!’ Essa história nos faz refletir em muitos lugares, em muitos aspectos e inspira a gente a ficar mais humilde diante dos nossos julgamentos.


Sat Nam

Categorias
Posts Recentes
Arquivo
Tags  
SOBRE NÓS

A Associação Brasileira dos Amigos de Kundalini Yoga, filiada à Fundação 3HO, tem por propósito divulgar a tecnologia e os ensinamentos do Kundalini Yoga e do Shabad Guru no Brasil, servindo a todos na busca da excelência e da manifestação de seu ser original, criativo, livre e digno.

LOCALIZAÇÃO

Rua Yvon Magalhães Pinto, 511

São Bento .  Belo Horizonte

MG . 30350-560 . Brasil

Telefone: (31) 3090-5508 

secretaria@abaky.org.br 

CONECTE-SE

© 2018 por Abaky.

  • Instagram - White Circle
  • Facebook - White Circle
  • YouTube - White Circle
  • SoundCloud - White Circle