[GSK] O terceiro olho

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 3 de Agosto de 2018


[GSK abre a aula]


[GSK] Bem-vindos a essa segunda parte do ano, pessoal. Estou imaginando que vamos trabalhar com o tema da intuição. Não a parte filosófica da intuição, mas sua parte técnica. Meu objetivo com esse tema é que, ao final do semestre, tenham alcançado em vocês a experiência intuitiva. O tema da intuição é muito importante porque todo mundo a quer, e quase ninguém a tem. Mas todos têm os recursos internos necessários para alcançar esse estado intuitivo. A pergunta que me fiz essa semana, para montar um programa para vocês, foi: por que todo mundo quer, ninguém tem, e todo mundo pode ter, se quiser? Encontrei algumas respostas interessantes na minha meditação sobre o tema e acho que a melhor maneira de compreendermos muito bem a história da intuição em nós é usarmos a ideia do oceano.


Um oceano tem duas partes muito distintas. Há um parte superficial que sempre se altera, que está sempre em movimento e em um ritmo que não muda muito. É o ritmo de formação de ondas, de levar e trazer coisa. Muitas coisas estão acontecendo lá em cima. E se formos bem ao fundo, exatamente o mesmo oceano tem outra qualidade e outro tipo de funcionamento, onde há profundo silêncio e profunda quietude. Quietude como ausência de movimento, em comparação com o estado lá em cima.


Imaginem agora e façam um paralelo do oceano com a nossa mente. A parte superficial da nossa mente tem um padrão que não muda, que é estar completamente em movimento, sempre processando, trazendo coisas e postando coisas, digamos assim. É uma parte da mente que, por mais que queiramos silenciar na meditação, não conseguimos, porque é a sua natureza. Se um oceano silencia na sua superfície é porque uma catástrofe está vindo, tipo um tsunami. Não existe uma maneira de silenciar as águas de cima, a mente também não se silencia. Isso é um fato, um dado. Essa parte da mente é vizinha do processamento mais imediato que fazemos do mundo: pegamos uma coisa e dizemos “é quente”, “é frio”, “é prazeroso”, “é ruim”. A todo momento, ela faz essa mediação do sistema nervoso para captar o mundo, e faz, ainda, a mediação interna para responder ao mundo. É sempre agitada.


A intuição está presente nas águas profundas, na parte da mente que tem silêncio e quietude. Ela é a mente, só que não é imediatamente fronteiriça a nada. Todas as vezes em que estamos mediando a nossa vida no mundo, a vida de alguém no mundo e estamos trazendo o mundo para nós, não estamos no modo natural, fazendo isso através da inteligência intuitiva. Estamos fazendo isso através da inteligência instintiva[ML1] . Estamos usando a nossa força inteira para nos relacionarmos com o mundo. Mas nosso sistema de alerta é todo centrado na parte do cérebro que lida com emoção que, portanto, está diretamente abraçando os processos que querem a nossa defesa imediata. Desse tipo de relação nossa com o mundo e com as pessoas não surgirá nada intuitivo, porque não fomos capaz de descer em águas mais profundas, em regiões mais profundas da mente.


O que precisamos fazer para descer nessas regiões mais profundas da mente, onde há uma ausência de agitação ou de processamento? Temos dois caminhos. Um é através de um tipo de meditação muito especial que, no Kundalini Yoga, chamamos de Sat Nam Rasayan, uma meditação capaz de nos levar a essas águas profundas. Ela nos leva para esse campo sensível, a uma região em que não necessariamente os processos estão acontecendo. Não é que no Sat Nam Rasayan teremos necessariamente um acesso intuitivo do conhecimento. Podemos ter, se formos capaz de sair das águas superficiais dessa relação imediata com o problema. No Sat Nam Rasayan, no momento em que se julga, saímos das águas profundas e vamos para as águas superficiais, para a parte da mente que está processando, avaliando, julgando, ou seja, que está na defesa. E é bom lembrar que a base de todo e qualquer julgamento é o medo.


O outro caminho é o Kundalini Yoga propriamente dito. É o kriya com aquilo que ele tem, inclusive a meditação. A meditação na aula de Kundalini Yoga não é a mesma que se faz no espaço do Sat Nam Rasayan. Porque a meditação que fazemos no Kundalini Yoga tem o objetivo de fortalecer aquilo que fizemos no kriya, com a finalidade de atingir um estado meditativo, intuitivo. É o mecanismo de ativar determinadas regiões do nosso corpo que são neuroendócrinas. Nós queremos trabalhar com o lobo frontal, nós queremos trabalhar com o cérebro emocional, para desligar alguns circuitos e ativar vários outros no cérebro cortical. Nós queremos trabalhar com a região hipotalâmica, que é uma região que nos ajuda a estabelecer padrões novos e abrir mão dos padrões antigos. Nós queremos ajustar o sistema nervoso central. E nós queremos recapear o nosso sistema nervoso, porque é só com esse sistema nervoso recapeado que somos capazes de acessar a informação que vem daquelas águas profundas.


A informação que vem das águas profundas não tem lógica. O processamento intuitivo não é feito com base na lógica, ele é feito com base no saber, sem se perguntar porque se sabe. O Kundalini Yoga e o processo de meditação são para nos tirar dessas águas superficiais da mente que processa. Não negá-las, mas ter acesso ao conhecimento que está sediado em partes da mente que não acessamos no nosso modo relacional cotidiano. É preciso um treinamento para ir lá. O que faremos nesse semestre é irmos para o mar a bordo de um submarino e baixar lá nas águas profundas. Descer, ficar ali, experimentar esse lugar. Para isso, vamos ter que trabalhar tecnicamente e, não, filosoficamente. Vamos trabalhar muito o cérebro, as várias partes do cérebro, a partir de um livro muito antigo que se chama Expandir a intuição.


Por trás dos olhos está o lobo frontal e no centro do cérebro está uma estrutura muito importante para nós que é a pineal. O espaço do conhecimento pode ser tanto das águas da parte superficial, quanto da parte profunda. Nós queremos tratar das águas profundas, desse espaço da mente, lembrando que esse conhecimento só existe no ser humano na medida em que se estabelece com ele uma relação prática. Para poder conhecer alguma coisa, nós temos que experimentar. Não se conhece alguma coisa só supondo. Quando temos essa relação imediata com o mundo, a relação do conhecimento está muito imediata, é óbvio, porque estamos diretamente envolvidos. A questão toda é estabelecer uma relação de experiência quando estamos em águas que não se movimentam, quando estamos no espaço da mente que não está processando o mundo no modo que conhecemos. Como é que estabelecemos uma relação de conhecimento com aquela experiência?


As águas profundas da mente, ou esse lugar da quietude, geram um tipo novo de conhecimento, que, por sua vez, gera um outro corpo. Quem vai profundo no Kundalini Yoga conhece esse outro corpo como “segundo corpo”, que é o corpo que processa esse conhecimento. É difícil dar um nome para esse corpo porque ele, na verdade, é algo que não existe no tempo e no espaço. Ele é uma projeção desse conhecimento quando estabelecemos uma relação com essas águas. Não é o corpo que estamos acostumados a lidar, mas é o nosso corpo também. Yogi Bhajan tratava disso quando dizia: “faça, projete-se no seu espaço sutil”.


Kriya: O terceiro olho

Meditação: Meditação para o terceiro olho


Quanto mais estivermos acostumados a ficar nesse lugar, nessas camadas profundas da mente, melhor. Depois dessa aula podemos começar a manipular essa decida. É sua decisão. Quem, na meditação, foi para esse lugar e ficou lá tranquilo, já produziu bastante DMT, a chamada molécula espiritual, substância que a pineal produz em grande quantidade quando nascemos, morremos e, algumas vezes, durante o sono. Yogi Bhajan dizia: “Enquanto a hipófise é a dona da nossa identidade finita, a pineal é a nossa identidade infinita”. A hipófise é a comandante de um tipo de corpo, que chamamos “primeiro corpo”. Esta é a maneira como processamos quando estamos na superfície do oceano. Quando estamos no “segundo corpo”, produzindo conhecimento na zona quieta, quem comanda a experiência é a pineal. Trata-se de uma experiência no campo intuitivo, não tem jeito: você estará vendo o futuro. É preciso um treinamento, e é por aí que vamos nesse semestre.


May the long time sun...


[Transcrição: Devaroop Kaur]

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