[GSK] Fortalecendo o Sistema Nervoso Central

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 23 de março de 2018


[GSK abre a aula]


Nossa aula de hoje vai ser para fortalecer o sistema nervoso central. A gente tem sistema nervoso central e periférico. O sistema nervoso central é o cérebro e ele comunica demais com os intestinos e com a região metabólica. Quando comecei a dar aula de Kundalini Yoga – meus alunos mais antigos devem se lembrar disso –, eu dizia: “Gente, tem muita coisa no intestino que é o cérebro.” Naquela época, isso era, assim, quase que um disparate. Hoje as faculdades de medicina já ensinam nesse sentido. Sim, o intestino tanto é o cérebro quanto o cérebro é o intestino.


Essa aula de hoje faz um belo ajuste nesse sistema metabólico, porque quando você tem o sistema metabólico prejudicado por qualquer razão que seja – ou stress, ou porque você come muito, ou come alimentos que demoram demais a saírem do seu corpo, seja lá qual for a razão, ou porque você teve uma preguiça metabólica, ou porque você tomou medicamento, o que for –, a primeira coisa em que isso vai refletir é na sua capacidade de fazer sentido. E quando você está diante de um processamento emocional muito intenso, a primeira coisa em que isso reflete é na sua capacidade de metabolizar. Então uma coisa e outra estão bem juntas.


Nessa situação, quando o sistema nervoso central não está no seu melhor tônus - que cada um de nós tem um tônus, o meu tônus é bem diferente de cada um de vocês e assim por diante. Eu tenho um tônus de processar de modo muito mais diplomático. O meu tônus é o seguinte: pequenas bobagens me tiram do sério, grandes crises me deixam no eixo. É um tônus meu. Cada um de vocês tem que encontrar o tônus de vocês ou onde que vocês são levados para sair do radar e onde vocês, embora enfrentando uma série de coisas, permanecem no radar. Entenderam?


Uma das coisas, quando nós estamos tratando o metabolismo, que mais ajuda a gente a recuperar o alinhamento do eixo – é inacreditável, vocês não vão acreditar, um negócio tão banal – é o humor. A capacidade da gente rir da gente mesmo é uma das boas maneiras de voltar com esse eixo quando nosso sistema nervoso está desalinhado. Não é tomar remédio, mas é tentar recuperar o humor. Porque o humor é a primeira coisa que vai embora quando o sistema nervoso central não está bem. Vocês sabem disso, né?! Como professores de Kundalini Yoga, podemos muito bem usar o humor para ajudar o outro, que está nos provocando, a entrar no seu eixo. Quando essa pessoa alinha o seu próprio eixo, tudo para nós se resolve.


Vou dar um exemplo para vocês. Há três dias, recebi uma ligação do Greenpeace. Eu já ajudei o Greenpeace muito tempo, e hoje sou membro do Médicos sem Fronteiras, uma escolha que fiz. A moça do Greenpeace me ligou e falou assim: “Quem fala?”, não, “Quem está falando é a Gurusangat?” Eu falei: “É sim, quem fala?”. Ela: “É do Greenpeace.” Eu falei: “Pode ir direto no ponto, não precisa me falar sobre os corais da Amazônia.” Porque ela já tinha me ligado mil vezes. “Pode ir direto no ponto. Cê tá precisando de quê?” Ela: “Ah, nós estamos precisando…” Quando ela ia falar o que ela estava precisando, ela falou assim: “Eu posso te chamar de Sangat?” Eu falei: “Claro! Como é que você chama?” “Fabrícia”. “Vamos lá, Brícia! Vamo lá, Brícia!” A hora que ela ouviu Brícia ela falou: “Desculpa!” Pronto. Entende? Às vezes, o humor te ajuda a, em vez de ficar revoltado - “Meu nome é Gurusangat!”, você usa humor para trazer a pessoa para o eixo. Então logo ela viu que ela entende, e aí a gente continuou a conversa; e eu continuei não apoiando o Greenpeace, porque eu sou apoiadora do Médicos sem Fronteiras. Entenderam?


A aula de hoje dá à gente essa capacidade de ficar um pouco mais desperta. Agora, é óbvio que umas das coisas mais difíceis, é na hora que você está sendo atacado, digamos assim, você se lembrar que você pode sair pelo lado do humor. Para isso você tem que ter o seu sistema nervoso central um pouquinho sob seu controle, porque senão você vai reagir. A aula de hoje é pra isso. É pra gente poder conversar com a Brícia, pra Sangat conversar com a Brícia numa boa.


Kriya: Fortalecendo o Sistema Nervoso Central, do manual Reaching me in me


Meditação do Kriya


Tem um tema que eu quero abordar com vocês que tem uma ligação muito estreita com o tema do sistema nervoso. Para quem chegou mais tarde hoje, a gente falou no início que o humor é fundamental, uma das diversas maneiras de ajustar a gente. Um outro elemento muito importante que Yogi Bhajan aborda nessa aula é a confiança. Não é a confiança no outro, não. É a história da autoconfiança. Tem um pouco a ver com o que você falou, Adash. Achei bom você ter dito que passou pela BR, já que você tá no radar do guru mesmo, esse é um tipo de bom modelo. Mas a gente tem que tomar um cuidado pequeno, se você entende realmente que você está nesse radar. Se você está realmente nesse radar, existe algo em você que está confiando, que tem uma entrega. Não é uma certeza, é uma entrega. Um contraponto a isso é aquela coisa da confiança cega. Uma confiança quase pueril.


Vocês lembram de um seminário que dei sobre o peru? Não é o Peru país, não. É o peru glu-glu-glu. A confiança pueril é a história do peru. O peru, como um peruzinho, foi levado para a casa de uma família. Ele tinha muita desconfiança, e a família começou a cuidar dele muito bem. Passados uns dias, o peru começou a ficar muito confiante que aquela família era uma família muito boa. Ele tinha muita desconfiança de humanos, mas foi passando o tempo, foi passando o tempo, ele só crescendo, só engordando, boa comida, bons cuidados, e ele foi concluindo – vocês lembram dessa história? –, que os humanos eram na verdade gente muito boa. Ele podia confiar muito nos humanos. Ele foi estabelecendo um vínculo de amor e de confiança. E ele, então, partiu do pressuposto de que ele estava a salvo. Até chegar um dia antes do dia da Ação de Graças. Vocês sabem que no dia de Ação de Graças os norte-americanos comem peru. E aí o peru foi pro saco, literalmente.


A história é, não é porque uma coisa aconteceu com você uma vez, que você vai confiar que ela vai acontecer sempre. Essa é a história da autoconfiança pueril. A única coisa que te garante que você está bem no amanhã é se você estiver bem sintonizado na sua intuição. E a intuição tem a ver com um espelhamento do entorno. Existem determinadas situações que serão sempre perigosas. Não é porque você está no radar do guru que você vai entrar numa determinada situação extremamente perigosa, se expondo. Vocês compreendem isso? Se você se expõe de modo perigoso numa situação, é de se esperar que o dia de Ação de Graças chegue. A história da confiança é você não se abalar porque você está diante de uma situação onde você não tem controle. Essa é a história. É diferente de você entrar sem nenhum tipo de tensão numa situação que é perigosa, sem nenhum tipo de alerta. Não é entrar sem o alerta, é estar no alerta, é estar atento, é estar no campo, estar vigilante, mas você não está abalado, ou abalada. Vocês entendem isso? Porque a hora que você estiver abalado, ou abalada, a situação é maior que você. Acabou. Aí não adianta estar no radar, você já saiu do radar. Você pode achar que você está no radar. Quando a situação fica maior do que você, você perdeu a sua capacidade de lidar com a situação.


Você pode estar diante da exposição mais drástica possível, mas você precisa estar no seu sistema nervoso, estar bem. Eu sei que vocês vão ser testados. Vocês são testados várias vezes. Isso pode acontecer como uma situação física: eu caio, levo um tombo. Pode acontecer como uma situação emocional: não estou dormindo, ou estou sendo perseguida por “hunting thoughts”, por pensamentos que me perseguem, ou estou com mania de perseguição… E isso pode ser uma situação concreta, em que você está diante de uma pessoa que te ameaça no trabalho, pode ser num relacionamento íntimo. Não importa em que situação seja. Se você perdeu o controle, você perdeu a autoconfiança. E aí vocês podem perguntar, seria bem válido: “Como é que a gente não perde o controle?” Porque tem muitas situações em que a gente é sequestrado pela situação. Essa é uma boa pergunta. “Como é que você não perde o controle, já que seu sistema nervoso pode ser sequestrado pela situação?” Como, gente? Você ter habitado o campo, tempo suficiente para você se sentir nele quando você está numa situação drástica.


Gosto sempre de lembrar, tenho várias situações dessas. Umas eu consegui fazer certo, outras não. Normalmente quando é a Oi, eu sempre erro. Eu já disse pra vocês: situações pequenas me tiram do sério, grandes conflitos me deixam muito na minha. Sempre gosto de lembrar daquela história em que estou indo para o meu doutorado com um banco de dados de 2893 pacientes, metade disso na entrada, metade disso no final da minha intervenção, e o professor fala: “Faz favor de trazer o seu banco de dados de modo que ele seja lido por qualquer programa de estatística”. E contratei o departamento de estatística da UFMG, que era bam-bam-bam. Paguei uma fortuna para eles poderem pegar meus dados e porem de uma maneira que pudessem ser lidos universalmente. Foi num floppy disk – naquela época ainda era no floppy disk, a maioria de vocês nem sabe o quê que é.


Cheguei na Alemanha, quando entreguei para o meu orientador, ele olhou pra mim e falou assim: “Eu garanto que isso não vai ler no meu sistema.” Eu disse pra ele: “Eu garanto que vai.” E quando ele botou o floppy disk, no computador dele, pein pein pein. Erro. Material não lido. Ele só olhou pra mim e fez, tipo assim: “Eu sabia”. E eu dentro de mim fiquei furibunda. Eu gastei uma nota com aquele povo! Como é que eles fizeram isso comigo? Se eu pudesse pegar o telefone, eu ia ligar na hora. Eu não tinha essa possibilidade e o orientador alemão aproveitou, então, e falou assim pra mim: “Mas eu vou explicar para a senhora o que a senhora tem que fazer”. Foi para o computador, falou: “A senhora tem que usar o programa MS-DOS e a senhora vai ler frase por frase”. “Frase” era um paciente. Então eu tinha um paciente e 17 variáveis. Para quem entende de estatística, isso é uma loucura. Ainda tinha o mesmo paciente na saída com 17 variáveis. Ele falou pra mim assim: “Vou fazer a primeira linha aqui para a senhora”. Foi pro computador e fez tac tac tac tac... Olhou pra mim e falou assim: “Compreendeu?” Eu falei: “Hum hum... compreendi.” Peguei o floppy disk, ele falou: “Eu dou para a senhora seis meses, para a senhora conseguir fazer tudo”. Ele tinha certeza que eu não sabia e eu tinha certeza que eu não sabia mesmo. Nós dois tínhamos certeza. Eu entrei na minha sala, sentei, chorei.


Chorei, xinguei, na hora que parei de chorar e xingar, falei: “Não, peraí. Não adianta nada. Uma coisa que eu sei é que não vou voltar pro Brasil mesmo com esse floppy disk na mão. Eu vou sentar aqui!” E aí naquele momento, quando parei de chorar, me lembrei que eu tinha feito 11 anos de aulas de piano sem saber teoria, só sabia clave de sol. Sentava perto da minha professora, que era minha madrinha, e ela tocava a música, me mandava pra casa. Eu chegava em casa e passava uma semana copiando. Desenvolvi um ouvido. Depois de uma semana eu tinha a música, com pequenos erros, mas tinha a música copiada. Eu fui pro computador e comecei: tá tá tá pein, não é aqui, não é aqui... Com duas semanas eu decifrei o MS-DOS na primeira linha! E com três semanas, fiz os 2800 pacientes, voltei pra ele e falei: “Meu problema está pronto.”


Vocês entendem? Ele me pediu em casamento, eu disse não. Mas naquele momento, eu sabia que eu não sabia, ele sabia que eu não sabia, mas eu sabia que eu podia. Tinha um lugar que eu tinha um recurso e eu podia ir atrás. Se eu estivesse desesperada, eu teria provavelmente demorado seis meses, mandado o floppy disk pros “fia das unha” da UFMG, pedido para eles recorrigirem e mandado pra mim, e aí eu ia chegar pro professor com aquela cara de bunda e ia falar pra ele assim: “Cê tem razão…”


Então, tem um lugar que você é dono da sua experiência, e nada no meio deveria te tirar do seu cerne. Você tem planos B, mas primeiro você tem que tentar. Essa é uma experiência que carrego comigo pra minha vida inteira e isso aconteceu comigo a 30 anos atrás. Eu aprendi muito com aquela experiência. Na época, eu não tinha o Yogi Bhajan pra me lembrar, mas depois eu tive. Um ano depois eu encontrei o Kundalini Yoga e aí o Yogi Bhajan dizia dessa experiência de você estar no conflito, de você estar numa situação de animosidade, ou de tensão, onde você não desespera. E se você estiver no campo – agora eu sei o que é estar no campo, eu não tinha idéia do que era estar no campo, o recurso vem. E esse recurso pode vir de qualquer área, inclusive de uma ajuda, mas ele vem pra te adicionar dignidade, não para tirar da sua dignidade.


Estar no campo, estar no controle, ajuda demais a gente a se manter, também, de uma forma digna diante do problema. Exercitem isso agora nas suas pequenas situações. Acho que vocês passam por várias pequenas situações de confronto antes de ter uma situação como essa. Essa minha situação foi uma situação muito drástica, e eu pedi por ela. Eu queria ser recolocada. Eu pedi por um grande abalo sísmico. Eu saí do Brasil pedindo isso, então eu não parei de ganhar. Mas vocês não têm que passar por isso, necessariamente. Vocês podem viver isso em pequenas situações. Um dia que você está com fome: o que você faz, quando você está com fome? Como é que você sai do campo? Como é que você fica egoísta e desalinha? Existem várias situações muito simples que vocês podem experimentar não perder o controle. Está certo, gente? Porque todos os milagres acontecem quando você está no campo. Mas o que te tira do campo é a falta de controle, a falta de entrega. Esse professor alemão me pediu em casamento, não porque ele me achava..., mas ele queria uma secretária. Ele falou comigo. Vocês acreditam nisso? Foi muito divertido.


Se você não se entrega, você não tem controle. Se você não se entrega, você está resistindo a render sua cabeça. Você está fazendo aquilo que a gente conversou aquele dia: você desalinhou. Então a entrega seria uma maneira mais rápida de você passar pela tormenta e se realinhar. Você não se entrega e tenta engessar aquilo em forma de controle. Aparentemente o controle da sua situação. E todas as vezes que você se engessa fora do seu alinhamento psíquico com o eixo do universo, esse engessamento está te retirando do fluxo de onde você deveria estar. Se você não se entrega, você perde o controle. Embora muitos de nós acham que estão no controle. A luta veemente para justificar sua posição aparentemente soa como controle, mas é falta de controle, falta de autocontrole. Porque a melhor maneira de você deixar de passar pela tormenta é se entregar a ela. Isso a gente adquire com prática. Por isso que o Sat Nam Rasayan é tão importante nas aulas de Kundalini Yoga. Quando vocês estiverem dando uma aula para o sistema nervoso, se vocês puderem deixar os seus alunos experimentarem esse campo, sabendo que esse campo não é um campo que eles têm que fazer nada, só se entregar à experiência de estar nesse campo...


May the long time sun shine...


[Transcrição: Nav Amrita Kaur]

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