[GSK] Experimentando a própria força

Aula ministrada por Gurusangat em 26 de junho de 2015.

Gurusangat Kaur Khalsa inicia a aula explicando que, ao entoar o mantra de abertura, Ong Namo Guru Dev Namo, os professores precisam ficar atentos para não deixarem caír o tom na hora de entoar o “Deeeeeev”. Alguns professores, segundo ela, acabam com o naad ao começar a entoar o “Dev” aberto e baixar o tom ao chegar ao pico, como se uma onda fosse formada. Ela reitera diversas vezes que, ao entoar, não podemos fazer uma curva descendente – as vogais são sempre abertas e sem oscilar a nota, pois descer o tom equivale a se retirar no momento de receber a frequência mais sutil do naad.


(Começa a transcrição):


Bom, a gente hoje vai experimentar nossa própria força. Antes, porém, eu gostaria de dar uma geral no tema e trazê-lo para a vida prática.


Tudo que a gente quer no Kundalini Yoga é desenvolver uma força interna, como vocês viram na aula passada o Yogi Bhajan falando: a psique da gente pode funcionar tanto no modo careless quanto no modo carefree. Então se a psique está no modo careless, do tipo “não estou nem aí, só estou aí para mim”, você se transforma o centro de toda a importância – não necessariamente você, às vezes seu núcleo familiar, ou o que for. Você desenvolve uma série de intrigas para justificar aquilo que está defendendo. E aí você desenvolve muita força interna, porque se você não desenvolve força interna, não consegue sustentar nem o seu modo careless. Quem não tem força interna não está carefree nem careless, não tem nenhum poder. Então quando a psique funciona em um desses dois modos, ela tem uma força interna, e é isso que vocês confundem: vocês acham que só tem força interna quem vive no modo carefree, que é aquele que coloca em seu altar o outro, em vez de si próprio. Quem está no modo “dane-se o mundo, eu vou justificar minha emoção”, essa pessoa tem muita força interna, só que a força interna que ela gera é guardada para ser usada na sua defesa.


Qual é o problema disso? Ou melhor, qual é a vantagem disso? Vamos começar pela vantagem. A vantagem é desenvolver uma superforça interna para defender seu próprio domínio. Eu estou falando isso de um modo bem negativo, porque não tem nenhum problema você defender o seu domínio quando ele estiver ameaçado. O que estou falando é você se tornar uma defesa egoísta da sua posição. Qual é a vantagem disso? A capacidade de fazer o que você precisa fazer. E a força interna vai ser gerada e usada onde? Onde essa pessoa careless sustenta sua posição? Onde no corpo? No intelecto. Só no intelecto. Não tem força de plexo nenhuma, ela gera uma força interna e em vez de coloca-la à disposição do serviço, ela põe no intelecto, e essa força interna levada para o intelecto dá a essa pessoa a capacidade de fazer uma boa argumentação. Para fazer uma boa argumentação, ela precisa ter gerado muita intriga mental. Então a força está aí, entenderam? Entenderam esse caminho?


Quando vocês estão em disputa, então pode ser tanto a questão do museu discutida em Brasília quanto definições banais da vida da gente, como qual médico escolher, qual escola escolher, qual dentista escolher, qualquer coisa que envolva a nossa vida pessoal, todas as vezes que eu pego a realidade do meio, filtro-a de acordo com o meu interesse, crio uma linha de argumentação para justificar minha posição evitando me entregar para o possível confronto que poderia depurar a situação, eu estou usando a minha força interna para gerar uma linha de argumentação, uma justificativa. Qual é a consequência disso na era de Aquário? Essas pessoas geram um tipo de frequência que atrai gente que está na mesma situação, então o dia em que ela se frustra e tudo dá errado, ela se sente isolada, se perguntando o que aconteceu consigo e ainda assim não admite que foi ela quem iniciou tudo isso, ela ainda se justifica. O problema disso na era de Aquário é que a gente gera karma instantâneo, e quem vai pagar pelo nosso karma instantâneo? Quem gerou a força interna? Não. Se a força interna é muito grande, a pessoa não paga o karma imediatamente, pode até pagar daqui a pouco, o karma chega para ela, mas ela gerou uma força interna de defesa, e esse karma não recai sobre ela imediatamente, mas no núcleo dela, nas pessoas que são mais fracas e mais vulneráveis. Entenderam isso?


E aí assim, lentamente, quando essa pessoa fica vulnerável porque aquele karma está se espalhando no seu entorno, ela então começa a se enfraquecer. Por isso que os mestres todos dizem que existe – o Guru Nanak no Japji fala – existe um ensinamento na dor, a dor também ensina. Porque aquela pessoa que gerou uma linha interna de defesa muito grande para poder justificar suas posições muito confusas, ela finalmente sucumbe. É a chance. Está certo?


Agora vamos para o outro lado da questão. Eu estou nessa falação toda porque essa aula gera força interna para ser usada em qualquer lugar. Por isso que estou fazendo uma advertência. Tá certo? Então agora a pessoa gerou força interna e vai usá-la na psique do carefree, ou seja, ela está confiante em Deus, está livre, leve e solta, confia na mão de Deus, ela tem conflito, tem situação difícil, em qualquer âmbito – no ambiente de um projeto trabalho, no âmbito pessoal, na família, no âmbito que envolve os filhos, mas essa pessoa honra o processo insistentemente. Ela não deixa de confiar no processo, entendeu? Então ela está lá, trabalhando firmemente para alcançar uma vitória. A força interna que ela gera vai ser usada não para ganhar intelectualmente da outra pessoa, mas para espalhar uma coisa que chama confiança, fé, determinação. Ela não duvida do objetivo. Se o objetivo está criando um obstáculo, ela não desiste do objetivo – esse é o determinante se a pessoa está usando sua força interna para viver de um modo egocêntrico ou de um modo altruísta. Ela não duvida do objetivo. Vocês estão entendendo o tanto que vocês, em conflito, começam a duvidar do objetivo? Essa pessoa não duvida do objetivo e então permanece envolvida na construção de um processo para atingir aquele objetivo que é honroso. O processo pode ser duro porque às vezes o objetivo é tão nobre que ele implica numa depuração de quem está envolvido.


Só que às vezes a nossa tendência é buscar logo o conforto: “Ah, quer saber de uma coisa, dane-se o objetivo”, daí você entra no modo careless. E aí naquele processo de um objetivo que é duro, que está distante ou que provoca em mim irritação, que provoca em mim dúvida, você honra o processo para alcançar o objetivo. Quando você faz isso, qual é o resultado na Era de Aquário? É algo muito bonito. Você teve a força que não se localizou no seu triângulo inferior, mas uma força que se espalhou para o seu corpo radiante. Seu corpo radiante ficou gigante, e o que você vai fazer com o karma? Queimar! Você gera uma energia capaz de queimar karmas de quem? De todo mundo envolvido no processo, de sete gerações para trás e prepara o campo para desobstruir sete gerações para frente.


Então em um modo você recolhe karma e o espalha, pois teve uma força de se proteger, e no outro você recebe o karma e o queima. Por isso o Yogi Bhajan disse que a primeira força sustentadora do amor é a paciência. Porque num processo de amor – e aí não estou falando apenas do amor entre dois seres humanos – num processo em que você se lança com amor num objetivo, você precisa ter muita paciência para não desistir do objetivo. Porque o processo é de cura. Em qualquer âmbito, como eu disse, ou um grande projeto de trabalho ou em projetos familiares de qualquer natureza – desde a escolha de um médico, de uma escola, das férias do casal.


Então quando estamos vivendo um desafio – é isso que a gente aprende nesse dharma – o desafio nunca deveria ser um estímulo para você entrar no modo careless, entrar no modo de desonrar o processo e mudar o objetivo. O desafio deveria ser um estímulo para você entrar no modo carefree, confiar e continuar.


Agora um ponto final. Vou mudar de parágrafo para a gente começar a fazer a aula. O que a gente faz quando vê pessoas, especialmente crianças, quando a gente vê essas pessoas vulneráveis, sendo atacadas pelo karma? A única coisa que a gente pode fazer é rezar. Porque a criança ainda está muito aberta para absorver essa frequência. E podemos nos fortalecer, nunca julgar nem dizer “puxa vida, por que essa criança está fazendo isso?”, porque também é uma escolha da alma dela pagar por aquele karma para se liberar logo. Está certo? Vamos então para a aula?


KRYIA: "To experience your own strength", do Livro "Transformation", volume 1, p. 4.

MEDITAÇÃO: "Meditation into thoughtlessness", de "Transformation", volume 1, p. 69.


May the long time sun...


[Transcrição: SatBhagat Singh Khalsa]

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