[GSK] Equilibrando o Campo Eletromagnético

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 20 de setembro de 2019


Muitos de nós têm a cultura de esperar o final do ano pelo Akhand Paath, que é a leitura ininterrupta do Guru por 24 horas. Sabemos que nesse período todos que querem vir se sentar, meditar ou depositar um tema no altar são acolhidos. É um momento em que se cria uma grande força de projeção dos ensinamentos e traz muitas bênçãos e curas. Mas a capetagem está solta de tal maneira que está bem difícil esperar isso acontecer apenas no final do ano.


O Yogi Bhajan recomendava o Akhand Paath para sofrimentos psíquicos. Esse ano começaremos a introduzir o Rainsabai, uma iniciativa do professor Kartar Sangat. O Rainsabai é uma prática que remonta à época da Índia matriarcal, quando não existia um lugar específico onde as pessoas iam para meditar. Não existia esse conceito de que meditação é para poucos, como ficou muito claro na cultura mais tarde. Nessa época, yoga e meditação aconteciam em praça pública. O Rainsabai é uma das práticas resgatadas pelo Guru Nanak, que é justamente encontrar para meditar, cantando continuamente por uma noite inteira. Na época de Guru Nanak acontecia por vários dias ininterruptos.


Algo que adaptamos do Japa Yoga no Rainsabai é a presença dos músicos e o fato de evitarmos um intervalo sonoro. Há dois palcos no Rainsabai. Quando uma banda está terminando sua participação, a outra já está sentada no outro palco, pronta para começar. É um contínuo de músicas, não necessariamente de um estilo só. Precisa unicamente ser uma música que fala da unidade entre a forma e o sem forma. Uma de minhas experiências mais lindas em Espanhola foi quando, no meio da madrugada, uma pessoa se levantou e tocou Beatles.


O Rainsabai é um espaço para onde levamos nossos colchonetes e passamos a noite juntos. Podemos acordar, escutar um pouco e dormir de novo. Em Belo Horizonte vamos começar a ter isso desacoplado do Akhand Paath. Acontecerá no dia nove de novembro, das 21h até a manhã de domingo, no Gurdwara. Quem quiser participar com uma boa música para cantar ou tocar, por favor fale com o professor Jiwan Preet.


[GSK abre a aula]


Hoje faremos uma aula para equilibrar o campo áurico. Todas as vezes que houver, no coletivo, insegurança, medo ou euforia – trata-se de um excesso de sentimento, negativo ou positivo – abre-se um espaço no nosso campo eletromagnético, no nosso campo áurico, para limpar coisas que estão por aí, nesse espaço. No Yoga, o nome disso que limpamos é samskara. São impressões psíquicas.


Digamos que eu esteja num momento de extrema alegria. Ao vibrar a minha euforia libero os meus samskaras. Contudo, alguém terá que limpá-los para mim. Já se eu estiver num momento muito deprimido ou de recolhimento, insegurança, dor, dúvida, eu acolho o samskara liberado pelas pessoas que estão felizes. Viro receptáculo daquelas impressões. É muito louco, porque justamente quem está precisando se liberar, vira o “lixeiro”.


Samskaras não têm endereço, nem de remetente, nem de destinatário. São impressões que ficam no campo. Sempre que estamos no amrit vela fazendo uma sadhana coletiva, colocamos no campo a nossa projeção, que se torna muito forte. Por isso a sadhana coletiva é importante. Ela limpa samskara. Ajuda as pessoas que estão em sofrimento psíquico.


Essa aula de hoje é para limparmos samskara quando estamos recolhendo demasiadamente essas impressões do meio. Podemos saber que viramos um ponto de limpeza de samskara quando começamos a agir como se não fossemos nós. Essa é a hora de começarmos a limpar. Existem duas maneiras de limpar samskara voluntariamente: fazendo aulas para o campo eletromagnético ou fazendo Sat Nam Rasayan, que é tão eficiente quanto.


Kriya para a Frequência Eletromagnética, do manual Kundalini Yoga para Juventude e Alegria


Uma das boas limpezas que fazemos no campo eletromagnético e na aura é compreendermos. A compreensão é uma benção. Algo importante de se saber nesse momento que vivemos, nessa transição de Kali Yuga para Treta Yuga – já saímos de uma e entramos na outra – é o seguinte: existe uma marca numérica das yugas. Existe uma numerologia sagrada que não trabalhamos no Kundalini Yoga, mas que o Yogi Bhajan ensinava no privado: é o número sete. Além de sua multiplicação indicar a duração dos tempos, ele também revela a seguinte qualidade de tudo: sempre que se cresce até um auge, se destrói.


Esse é o ciclo das yugas. Temos um ciclo de crescimento e depois de destruição. Passamos por uma Kali Yuga, em que crescemos ao máximo e então descendemos, para começar a crescer novamente, porém agora no ciclo da Treta Yuga. Depois, começaremos a descender mais uma vez. Esse ciclo é marcado pelo número mágico sete. Temos pouco mais de cinco mil anos para subir e descer uma yuga. Toda descida de yuga é muito difícil. Na última fase de purificação, sobretudo, muitas coisas surgem.


Estamos entrando nessa transição. Lamentavelmente, vai demorar muito mais do que o nosso tempo atual de vida – em torno de 300 anos – para passar de uma fase para outra e preparar uma subida que será maravilhosa: a Treta Yuga, onde quase tudo que faremos será através da projeção mental. Vai ser muito interessante a vida nesse planeta, se ele sobreviver até lá.


Para as transições, Yogi Bhajan dizia ser essencial conhecermos Purkh, a força que cria. Toda coisa criada vem de uma fonte única. Essa fonte única não tem nenhum tipo de preconceito, julgamento ou cuidado em construir e destruir. Ela é neutra diante do que constrói e destrói. Em momentos como esse Yogi Bhajan diria: “Por favor, entendam o mantra Ajai Alai”. Esse mantra explica a força que cria. Explica o processo de criação e destruição.


Muitas vezes é bastante difícil para nós, seres humanos, estar diante de um processo de destruição. Basta passarmos um fim de tarde olhando para as montanhas de Belo Horizonte. Aquilo nos causa uma dor, uma depressão. Nesse momento, involuntariamente, o nosso campo eletromagnético se recolhe. Ao fazê-lo, nos tornamos muito propícios para recolher samskara. O mantra Ajai Alai é uma proteção para que, mesmo diante de uma grande tristeza, como olhar para uma mata e vê-la queimando, nos seja possível levar isso a um nível de compreensão que ultrapassa o instante imediato.


O espírito meditativo ajuda muito. Alguém que bota fogo em uma mata ou faz mal a outra pessoa está povoado por samskara. O grau de perturbação psíquica dessa pessoa é gigante. Nos consultórios de psicólogos, hoje, as pessoas vêm apresentando um grau de perturbação que não se explica pelos condicionantes que até então eram claros na sociedade – familiares, sociais, etc. Trata-se, agora, de algo maior que os condicionantes. No yoga isso se chama samskara e esse mantra é o que nos ajuda a compreender e limpar.


Meditação com o mantra Ajai Alai


Pelo caminho yoguico temos duas vias: uma via íntima que é nossa, onde, por exemplo, fazemos uma meditação dessas. Entramos no espaço da compreensão, ainda que não compreendamos. Não se trata de compreender com o intelecto. Essa é uma via que organizamos internamente para podermos atravessar zonas turbulentas. A outra via é a via da ação. O fato de fazermos uma meditação para compreendermos e mantermos um mínimo de bom senso diante de todo e qualquer tipo de desafio não significa que não iremos às ruas lembrar que a realidade prima é fatídica.


Se estamos tendo tormentas psíquicas que nem família, nem educação, nem nada explica, imaginem o que não passa na cabeça dos nossos governantes ou das pessoas que têm qualquer papel de liderança. É assombrosa a situação. Se está assombroso para nós, imaginem para as outras pessoas. Se nossos alunos nos colocam diante de uma outra realidade, é sempre uma lembrança de que eles são os nossos professores. Se estamos em uma situação em que vemos que estamos perdendo o controle e olhamos os nossos alunos, podemos considerar: “Opa, esses aqui são meus alunos, preciso ter um mínimo de controle sobre as minhas atitudes. Não posso despirocar agora!”.


O aluno é isso para o professor, o paciente é isso para o médico, o paroquiano é isso para o pároco. Precisamos ter sempre alguém que nos lembre quem somos. E quando vamos às ruas pedir cuidado pelo clima, cuidado com o planeta, com a natureza, lembramos aos nossos governantes quem eles são e a responsabilidade que está nas suas mãos. Não é o caso de irmos belicamente, mas de nos apresentarmos. Isso é o suficiente. Tem que haver muita inocência e bom senso quando partimos coletivamente para nos expressar. Se não for assim, vamos criar uma situação insolúvel.


Da mesma maneira que um aluno se apresenta para nós sem sequer imaginar que ele está nos lembrando quem somos, nos apresentamos para um governante sem ele sequer imaginar que temos uma causa. Simplesmente estamos ali defendendo a vida. O fato de meditarmos para compreender o incompreensível não nos isola de termos uma ação social, uma ação coletiva em prol daquilo que, para nós, é importante defender.


"May the long time sun shine upon you..."


[Transcrição: Karamjeet Kaur]


[Edição: Nav Amrita Kaur]

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