[GSK] Associando a alma ao coração

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de agosto de 2015


[Gurusangat abre a aula]


Nós precisamos ter uma tremenda confiança no cerne do nosso propósito para podermos servir no tempo e no espaço. E se formos vítimas de qualquer tipo de injustiça ou quando vocês se sentirem impotentes, a coisa que mais precisamos fazer é associar o coração com a alma. Por que o coração tende a... sofrer. O coração tende a levar tudo para dentro. Como se você sentisse um aperto. Mas o coração também é uma ponte. Muitas vezes, quando a gente sente uma aflição, angústia, ansiedade, impotência, percebam que são sentimentos que te encolhem, mas não são sentimentos que te dão raiva, não te levam para o triângulo inferior, são sentimentos que te levam exatamente para o coração. Se eles fossem para o triângulo inferior, você sentiria raiva, vontade de se vingar. Não. Esses que estamos tratando aqui são sentimentos que espremem o coração.


Quando associamos a alma ao coração, essa é a única chance que temos. A alma associa sentimentos de expansão a esses sentimentos que tiram a nossa força nos comprimindo. Como a gente traduz isso em termos não românticos ou não literários? Por que o kriya vai fazer uma associação do coração com a alma em termos práticos. Mas como a gente interpreta e entende isso? Precisamos encontrar algum elemento nessa conexão com a alma que transforma a sensação de encolhimento e de "murchar".


Vocês sabem que a alma é capaz de liberar sentimentos que nos expandem. Por exemplo?


ALUNA: Gratidão.


GSK: Está certo, mas gratidão é um sentimento que se aplica quando você está impotente?


ALUNOS: Não.


GSK: Gratidão pode até ajudar, mas vai ser lá no final. No momento em que você está sentindo a impotência e a angústia, gratidão não é um sentimento que te tira do aperto e te fazer expandir. Qual outro sentimento que vocês conhecem que vem da alma e pode te expandir?


ALUNA: Alegria.


GSK: Não, alegria é uma emoção.


ALUNA: Respeito.


GSK: Respeito é uma qualidade ética que vem. Mas quando você está angustiada, o respeito também não vai ser um sentimento que te expande. Vocês compreendem isso?


ALUNOS: Sim.


GSK: Nós estamos dizendo da angústia e da impotência.


ALUNO: Fé.


GSK: Você leu meus pensamentos. Fé. Só tem uma qualidade que é capaz de te tirar daquela angústia – que é a fé. Não existe outra, é uma qualidade que vem da alma. A impotência só é transmutada com a fé. E o que é a fé?


A fé não é uma passividade, não é uma espera passiva. A fé como espera passiva é a definição de quem? Da religião. No Dharma, a fé não é uma espera passiva. A fé é uma espera ativa. Por quê?


ALUNO: Porque você se coloca como parte da esperança? Como uma plataforma para o outro e para o mundo.


GSK: Mas como você faz isso?


ALUNA: Ação?


GSK: Vamos voltar ao caso – o caso é de angústia e impotência. De uma pessoa se sentindo presa. A qualidade que tira a pessoa desse lugar é a fé. Fé em que, se não é uma espera passiva? A espera passiva é uma fé em quê?


ALUNOS: Num salvador, num Deus fora.


GSK: Eu sei que se vocês me disserem que é num Deus dentro, eu vou dizer “Sim!”. Mas como? Por quê? Então não vou aceitar respostas rasas. A fé ativa o que dentro de você?


ALUNA: A continuidade da sua missão e do seu propósito.


GSK: Isso é uma resposta correta, mas podem haver outras respostas. Mas essa resposta quer dizer que você deveria colocar mais peso no seu trabalho do que no seu encolhimento. Então você pode sofrer, pode ter caganeira, pode ter dor de cabeça, mas você tem de continuar trabalhando, você precisa manter o compromisso. A fé ativa é quando o sentimento de impotência não é suficientemente grande para te tirar do seu compromisso – ele não é grande porque você não o deixa ser, porque senão ele seria. A palavra fé, no Dharma, é idêntica a compromisso. Uma fé dhármica é um compromisso.


Aí entra uma segunda qualidade, porque se você se mantém no compromisso e você se sentiu impotente, o compromisso vai acabar te expandido. Então fica um residual do sentimento de um desejo de restaurar a honra, ou a justiça. Ficamos aguardando. O sentimento que faz com que a justiça seja feita também se relaciona à alma e ao coração – que é a qualidade da paciência convicta de que a verdade prevalece. Paciência convicta. E isso pode demorar vidas. Às vezes isso demora vidas para esse resgate ser feito. A conduta é como a que o Yogi Bhajan sempre teve: “Eu vou fazer meu trabalho, fazer o que tiver de ser feito e pacientemente confiar na justiça. Minha fé é que eu servindo meu propósito e sendo genuíno, a justiça será feita”.


Essa aula de hoje foi dada nos anos 1970, e uma das notas que ele fala nessa aula é que: “Todo ser humano que começar a andar no seu destino, no caminho existencial da alma, será confrontado e será acusado. Porque uma pessoa que é autêntica abala o lugar comum onde a massa se esconde”. Então vamos lá?


Kriya: Heart and soul (Manual Transitions to a Heart-Centered World).


GSK: É muito importante a gente entender, no Kundalini Yoga, o que é esse centramento no coração. Não é uma coisa romântica-emocional, mas sim ser capaz de experimentar de forma profunda os valores que residem na alma. E vocês podem treinar isso na comunicação de vocês – não percam a conexão com a alma quando comunicarem a partir do coração. Se vocês comunicam a partir da angústia ou da frustração de vocês, vocês se desqualificam e perdem a conexão com a alma. Toda vez que vocês se colocarem num lugar superior e colocarem o outro num lugar inferior, vocês nunca vão alcançar o coração do outro. Não há conversa assim. O outro vai te responder para te atacar e você vai responder para manipular, para se impor, nunca vai haver uma conversa. Você precisa saber se conter, saber pisar no seu freio. Vocês precisam ser um elo para compreensão e não para a punição do outro. E vocês escutaram um Shabad hoje que dizia:


Kirpan Gopal Gobinde – A sustentação vem com a compaixão e com a luz.


Sustentação é quando a compaixão se traduz em compreensão: Kirpan Gopal Gobinde. Assim se criam relações. Quando se associa Kirpan (compaixão) com Gopal (luz) para que haja Gobinde (sustentação).


May the long time sun shine upon you...


Sat Nam Wahe Guru


[Transcrição: Hari Bhagat Singh Khalsa]

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