[GSK] A mecânica da inteligência intuitiva


Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 24 de agosto de 2018

[GSK abre a aula]

Infalivelmente seremos intuitivos.

Mas quem espera por essa circunstância, espera sempre por um desastre. Porque a infalibilidade da intuição ocorre na vigência do desastre, naquele momento em que estamos numa situação desesperadora. Ela não decorre de um desespero crônico ou de algo que leva a uma sensação de risco crônico, já que, para lidar com esse tipo de risco, temos um modelo muito clássico de adaptação, que é o de luta ou fuga, de internalização da dor. Entretanto, quando estamos diante de um risco eminente, quando realmente experimentamos uma ameaça à vida, é aí que nos tornamos intuitivos.

Se quisermos esperar a intuição chegar dessa maneira, basta não fazermos nada e aguardarmos por uma desgraça. Mas nós queremos experimentar a intuição de um outro modo. Queremos desenvolver a intuição de forma que ela possa se expressar cotidianamente e isso requer um trabalho. Já vimos isso quando trabalhamos as mentes e os tattvas. Hoje trabalharemos mecanicamente o cérebro.

Sabemos que a parte mais recentemente evoluída do cérebro – o neocortex – é formada pelos dois hemisférios, e ambos são fundamentais no processo intuitivo. Quando há uma boa comunicação entre os hemisférios esquerdo e direito, há uma chance muito maior de aprendermos como construir cotidianamente uma inteligência intuitiva.

Os homens têm mais dificuldade de fazer isso porque eles têm o corpo caloso pouco desenvolvido. O corpo caloso é aquela junção do hemisfério direito com o esquerdo. Há uma razão antropológica para ser assim. Ainda estamos muito mais perto do ser humano que viveu e habitou essas terras há dez mil anos que do ser humano da atualidade ou do futuro.

Há dez mil anos, se um homem tivesse o corpo caloso muito evoluído, iria para a floresta contemplar, sendo inevitavelmente tragado. A contemplação é função relativa ao hemisfério direito. Para sua sobrevivência, o homem teve que diminuir o corpo caloso e ficar apenas no cérebro que dava a ele uma noção imediata da realidade, do risco eminente.

Meninos filhos de homens que fazem visitas mais constantes ao processo intuitivo já nascem com um corpo caloso maior. O mesmo acontece com aqueles filhos de mães que meditam. O contato, desde pequenos, com a arte, em especial com a música e a meditação, favorece muito a abertura do corpo caloso. A arte exerce uma influência direta nessa abertura e, portanto, também na inteligência intuitiva. No kundalini yoga, todos os kriyas que envolvem o sistema nervoso fazem esse trabalho nos hemisférios direito e esquerdo.

A intuição tem um componente emocional (isto é, as mentes operacionais), um componente técnico (a circulação no cérebro), e um componente muito espiritual (os tattvas). Em referência a este último, quanto mais presente a combinação de éter com terra, mais intuição haverá. Uma pegada na realidade e uma pegada fora da realidade, nesse paradoxo. Quando aparece o elemento água, surgem as emoções. Não existe processo intuitivo junto com emoção. Se a água se torna prevalecente as emoções que fluem nos sequestram e, então, o processo intuitivo acaba.

Portanto, no processo intuitivo, temos os elementos do espírito, da mecânica e da emoção envolvidos. Isto é, os tattvas, a maneira como trabalhamos no nosso cérebro e a inteligência que aplicamos às emoções.

Do ponto de vista neurológico, segundo indicam os médicos, há quatro aspectos que qualificam a intuição. O primeiro deles é a razão. Muito embora intuição não tenha nada a ver com razão, para se colocar as emoções sob controle, é necessário haver uma experiência de racionalidade.

O segundo aspecto é a chamada inteligência associativa, ou seja, associação de fatos, ligações. Para isso é preciso uma mente focada. Temos que ter um acesso imediato ao passado. Temos que ter memória. Associação se faz entre o que está acontecendo agora e o que aconteceu no passado. O elemento ar em excesso não admite pausa, não permite tempo para nada. É fundamental que exista um tempo. E é importante que haja uma boa experiência com a memória do passado.

Se nesta memória estão presentes trauma e dor, as emoções nos sequestram e saímos do processo intuitivo. Não se trata, portanto, de ter acesso à memória do passado se esta ainda não tiver sido trabalhada. Deve-se ter uma racionalidade, colocar as emoções sob controle e realizar uma análise associativa. Como foi no passado? Como é agora?

O terceiro aspecto é a visualização. No yoga, chamamos isso de visão de futuro. Qual é a nossa visão? O que percebemos que está acontecendo? Para onde estamos caminhando? Ter uma projeção de futuro faz parte da intuição.

Até aqui ocorreu um processo totalmente mecânico.

O quarto aspecto é a intuição propriamente dita. É o saber sem ter que procurar saber. Depende dos três aspectos anteriores. Percorre-se todos eles e move-se para shuniya, para o zero. O que advém desse lugar do zero é justamente o processo intuitivo.

Faremos um kriya que servirá para nos ajudar a trabalhar nisso. Perguntas?

Aluna: Eu tenho. Na questão da criança, você falou que estimulando a criança com arte,

musica, etc... até que idade é ideal dar esses estímulos para que se abra mais o corpo caloso?

GSK: Com certeza até ela começar a desenvolver a onda cerebral da consciência, que começa só aos 12 anos.

Aluna: Então é um bom tempo.

GSK: É um bom tempo! Mas se a criança já fez isso pelo menos até a primeira infância já está melhor que nada.


Aluno: Falando da parte física, o que proporciona o desenvolvimento do corpo caloso,

fisicamente falando?


GSK: O corpo caloso é desenvolvido naturalmente quando o cérebro começa a ser

desenvolvido na oitava semana. O corpo caloso é uma estrutura neurológica. É um tubo

neurológico. Ele desenvolve junto com a pele e o sistema nervoso. É a mesma estrutura

endogenética. Nas mulheres ele já logo desenvolve grosso, largo. Provavelmente, a explicação antropológica para isso é que há milhares de anos as mulheres se assentavam dentro das cavernas com aquelas crianças. O homem delas tinha saído, nunca se sabia se eles iam voltar e ela então tinha que inferir tudo, sobre sua proteção e especialmente sobre a criação de seus filhos. E uma das coisas importantíssimas que era tarefa da mulher era ensinar comunicação a seus filhos. E comunicação não acontece sem corpo caloso. A expressão da linguagem era responsabilidade da mulher e se ela não saísse do perímetro daquela caverna e do medo ela não teria condição de fazer.


Kriya: Brain Tune Up, do manual “Expanding Intuition”

Meditação: Meditação para o nervo vago, do manual “Expanding Intuition”


GSK: Essa meditação é ótima. Vocês podem fazer sempre, especialmente quem precisa ainda aprender a relaxar... Tem algumas pessoas que entram num estado de ausência por fuga. Não é esse o relaxamento do qual estamos falando. O estímulo vagal não é uma ausência por fuga. É um estado assim “nossa, teve uma pressão. Teve muita coisa acontecendo!”. Fazer essa meditação nos ajuda a sair do modo simpático e entrar no modo parassimpático. Ela é boa para relaxar as estruturas internas. Um dos maiores benefícios desse kriya é para suas suprarrenais e para seu cérebro. E você para de ficar produzindo cortisol e, de repente, o cérebro fala “nossa, graças a Deus, não preciso suicidar mais um neurônio.” Em resumo, essa meditação é ótima porque interrompe o suicídio de neurônios.


Aluna: O que é o nervo vago mesmo?


GSK: O nervo vago vaga. Você nunca mais vai esquecer. Ele vaga pelo corpo. Ele é o único nervo do sistema nervoso humano que não tem par. Ele vaga, não precisa de par, está em todos os lugares. Ele é muito longo, ele sai da cabeça, vai vagando, passa pelo sistema cardio, pelo coração, pelo sistema digestivo, intestino e vaga... A história do vago é assim: teve um estresse, enfrentou o bicho, correu ou fugiu? Depois disso o nervo vago diz: agora relaxa. O nervo vago é para produzir o efeito de relaxamento e diminuir a produção de adrenalina, corticoide e cortisol e deixar que os neurônios fiquem intactos.


Aluna: Minha mãe, já idosa, um dia desmaiou e caiu. O médico disse que foi uma interrupção do nervo vagal, que ela teve uma síncope vagal.


GSK: Uma síncope vagal. A pessoa teve um “tiute” por excesso de estímulo do vago. E a pessoa entra em estado meditativo, fica inconsciente e cai. Nós, se não quisermos meditar e tivermos uma síncope vagal, vamos sair de órbita. Desligamos na hora, caímos e desmaiamos. Porque se não queremos meditar, sairemos do controle. Claro que não é o caso da sua mãe. Mas síncope é sempre síncope. O sistema vegetativo está desequilibrado. O simpático sumiu de cena. Se o vago assume a cena, síncope vagal é um caminho para morrer. Se ela não tivesse sido trazida à vida, o coração teria parado de bater.


May the long time sun...


[Transcrição: Tarkash Kaur]

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