[GSK] A intuição sustentada pela bondade


Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 26 de outubro de 2018


[GSK abre a aula]


Gente, hoje tenho uma aula espetacular para dar para vocês. É uma aula para as várias frequências do Prana que nos energiza demais. É bom que seja feita de manhã, porque nos deixa muito pilhado.


O nosso tema é intuição. Esse elemento da intuição que trabalharemos hoje é crucial. Talvez seja o mais hermético e, portanto, não está em livros de forma literal. Vamos simplesmente fazendo induções sobre o tema.


Tem uma aula clássica do Yogi Bhajan chamada “The golden rules” – “As regras douradas” –, que aborda isso de uma forma muito explícita. Suponhamos que todos nós adquirimos a intuição e experimentamos a intuição. Tendo-a adquirido, para que vale a intuição? Essa é uma pergunta muito importante. Não pode valer somente para adiantar o futuro! Se temos intuição, ela tem que nos valer para duas situações estruturantes: para podermos fazer escolhas melhores e para podermos ter uma noção do que é nossa ação no mundo.


Temos linhas do arco para nos ajudar a fazer determinadas escolhas. E dentro dessa via estruturante, o que quero dizer é o seguinte: temos uma intuição e o ego está sob nosso domínio. Sem intuição é o ego que comanda. Portanto, escolhas melhores pressupõem uma reflexão quanto a se estamos fazendo escolhas que atendem aos nossos interesses individuais ou se estamos fazendo escolhas que atendem aos interesses coletivos.


Esse último tipo de escolha não será feito por uma pessoa que não saiu da sua zona privada de cárcere emocional, a zona dos desejos. “Ah, eu tenho desejo de fazer isso, vou fazer isso”, ou “Ah, eu tenho desejo de fazer aquilo, vou fazer aquilo”. Essa psique está longe de experimentar a intuição.


Mas digamos que todos nós estejamos lá, na experiência da intuição. Essa é, então, uma via. Muito confortável em comparação à outra. O que há de desconfortável nessa via?


Aluna – Você pode tomar uma decisão que não é exatamente aquilo que você queria, mas pensando no coletivo.


GSK – Exatamente. O que tem de duro nessa via é que, não necessariamente, você irá se satisfazer emocionalmente.


Aluna – Não no curto prazo.


GSK – Bem lembrado, não no curto prazo. Com toda certeza, a longo prazo sim. É um bônus, um baksish para o longo prazo.


A segunda via estruturante é o uso da intuição para enfrentar calúnias. Por que precisaríamos de calúnia? À princípio, ninguém precisa de calúnia. Mas se acontecer, ela nos ajuda a limpar karma. Limpa para aquele que recebe a calúnia. Para aquele que a pratica, um presentinho: o karma. Vocês compreendem como isso funciona na intuição?


Digamos que eu esteja encontrando com uma pessoa pela primeiríssima vez e a minha intuição me diz que aquela pessoa é extremamente perigosa. Eu estaria no meu ego total, completamente afastada do meu campo intuitivo se, porque a minha intuição me diz que essa pessoa é perigosa, eu a excluísse. Se ajo dessa maneira, excluo a possibilidade de me liberar de algum karma no encontro com aquela pessoa, ou daquela pessoa alcançar algum dharma no seu encontro comigo.


Suponhamos que aquela pessoa com quem me encontrei seja realmente uma pessoa de pouco calibre, de pouco caráter. Se ela consegue, no encontro comigo, uma pessoa da consciência, passar pelo desafio de encontrar o ego com a consciência, se sou nobre o suficiente para não rechaçar aquela pessoa, se sou insistente o suficiente no meu papel de professor, seja eu professor ou não, e dou todas as possibilidades a esse relacionamento, porque ele é autêntico, se me mantenho baseada numa comunicação que é consciente, e aquela pessoa que aparentemente poderia estar reagindo contra mim através do seu ego compreende, teremos acessado essa experiência muito dura que no yoga chamamos de “o martelo e o cinzel”. Do escultor esculpindo uma pedra. Sai faísca.


Mas qual é a chance que existe nisso? A chance é que aquela pessoa se libere e alcance um plano na relação que é de cura. E eu não fiz nada mais que minha obrigação, não vou ganhar nada. Se, por acaso, entro nessa relação rechaçando, ganho um presentinho: karma. Não tem jeito.


O papel do professor que busca a intuição não é só conquistar uma certa segurança de como caminhar rua abaixo. A intuição é também para deparar com aqueles nós e não recusá-los. Está publicado no blog da Abaky um artigo antigo, que transpõe as idéias do Yogi Bhajan de que a quantidade de energia que se precisa ter para andar no caminho neurótico é idêntica à quantidade de energia que se precisa ter para andar no caminho da intuição ou da consciência. Se é a mesma energia, o caminho da consciência não é assim tão simples. E, talvez, aquelas pessoas que não queiram jamais andar nesse caminho possam estar se sentindo muito confortáveis no caminho neurótico.


No caminho que você vai criar para a sua vida – o clube daqueles que gostam de você – tem muita gente que sai e muita gente que entra. Esse clube exclui todo mundo que não gosta de você. E todos permanecem unidos para sempre na ignorância e na infantilidade. A dor do caminho neurótico é que não amadurecemos. A dor do caminho da consciência é que usamos a intuição para não rechaçar aquelas pessoas que imaginamos que irão trazer para nós uma oportunidade de superação.


Aluna – Como é a calúnia nesse modelo?


GSK – Tem uma história no livro de histórias Sikhs para crianças. É a seguinte:


Chega um rei trotando a cavalo em uma vila indiana. Ele está num mau humor, igual a alguns de vocês quando acordam pela manhã. Ele encontra um sadhu com a sua vasilha de pedir comida. Na hora em que o rei passa, o sadhu o vê e pensa: “Nossa, é a minha chance! Hoje estou salvo, vou ganhar alguma coisa do calibre do rei!”. Então vai com a vasilha até o rei e pede para ele lhe dar alguma coisa. O rei fica indignado com aquele sadhu, pega no chão um pedaço de estrume, coloca em sua vasilha e vai embora. O sadhu olha para aquele cocô de vaca e pensa: “Não estou acreditando!”. Totalmente frustrado, ele volta para sua casa. O rei, por sua vez, continua seu percurso e, de repente, cai a ficha. Ele pensa: “Gente! O que eu fiz com o homem de Deus, um homem santo? Que loucura! Como é que vou reverter isso? Como vou me redimir?”. O sadhu, já em sua casa, pensa assim: “Bom, eu poderia fazer o rei pagar de duas maneiras, da maneira fácil ou da maneira difícil. Vou escolher a maneira difícil”.


Enquanto isso, do outro lado, o rei planejava: “Vou até o sadhu pedir desculpas”. Ele reencontra o sadhu e diz: “Sadhu, me desculpe, fiz uma loucura! Você é um homem santo! Eu não estava em mim! Como é que posso apagar o que eu fiz? O que é que posso fazer que apague a desonra que te causei? A afronta que cometi? Existe alguma maneira?” O sadhu lhe responde: “Sim, existe uma maneira. No centro da cidade há uma pilha de estrumes que cresce a cada dia”. O rei diz: “É, eu vi mesmo, passei por ela”. O sadhu fala: “Você vai ter que comer cada um deles”. O rei reage: “O quê? Não, mas eu não posso fazer isso!”. “Então você não pode limpar o que me fez”, replica o sadhu. E o rei conclui: “Vou tentar”. Vai até a pilha de estrumes, pega um e tenta comê-lo. “Nossa! Isso é impossível!”, pensa. E entra em desespero total.


“Não, não é possível. Fiquei sabendo que tem um cara muito santo meditando nessas montanhas e verei com ele se existe uma outra forma, porque essa aqui eu não dou conta de fazer”. Ele fica sabendo que há realmente esse homem e vai ao seu encontro. Chega lá, bate na porta, e aparece-lhe esse meditador, um outro sadhu. O rei conta a bobagem que fez e pergunta: “Agora o sadhu me mandou comer essa pilha de estrumes, mas isso eu não dou conta! Existe alguma outra coisa que eu possa fazer?” Este outro sadhu diz para ele o seguinte: “Na verdade existe. Existe só mais uma coisa”. O rei: “Graças à Deus! Manda ela para mim!”.


Ele era um rei muito bom, um rei digno, não estamos falando de um salafrário. E o sadhu lhe diz: “Você vai pedir para todos os seus vizirs irem à cidade e espalharem mentiras a seu respeito. Eles têm que te caluniar absurdamente. Seus conselheiros ficarão responsáveis por espalhar calúnias e pedir para o povo espalhá-las ainda mais. Quanto mais forem te caluniando, mais a pilha de estrumes vai diminuindo”. E o rei responde: “Ah, isso é fácil, isso é fácil!”. Ele, então, faz exatamente o que lhe foi orientado. E começa aquela onda de meterem o pau no rei. A calúnia.


Ele passa na praça todo dia que pode e nota a pilha diminuindo, até que resta um único estrume, e aquele um nunca some. Ele pensa: “Não é possível! Falta um! Vou voltar no cara!”. Ele retorna no sadhu e conta para ele: “Ficou um estrume no que era antes uma pilha, ele não vai embora de jeito nenhum. E o povo já está querendo me colocar na forca. Eu já não valho mais nada e ainda tem uma miséria de um estrume lá! O que é que eu faço com aquilo?” O sadhu lhe responde: “Aquele que restou é o meu estrume e falar mal de você eu não farei, porque não quero comer o seu cocô”.


Esse é o papel da calúnia.


Entenderam a intuição? A que veio e para que serve?


Kriya: Uma série de exercícios para as frequências eletromagnéticas, do manual Expanding Intuition


Meditação: Bandh dhea Kriya, do manual Expanding Intuition


Essa é uma meditação para ampliar a bondade. Quando desenvolvemos a intuição, bondade é algo muito importante. Nos tempos atuais nem se fala! Senão, podemos acabar com o outro. A intuição nos dá muitos poderes e é por isso que Yogi Bhajan sempre dizia que um grande yogi precisa ter um lugar onde render a cabeça. Fazemos isso nos nossos Gurdwaras, rendemos ali a cabeça. Porque com todo esse poder, associado a uma projeção segura da mente, podemos destruir o outro. É por isso que os líderes intuitivos que não são bons, são ditadores. A intuição não aparece só para quem é bom. Ela é um processo que qualquer um pode alcançar. Para não cairmos onde já estivemos no nosso ego, é a bondade que nos segura.


May the long time sun shine upon you...


[Transcrição: Karamjeet Kaur]

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