[GSK] Sistema nervoso e corpo radiante

8 May 2018

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 06 de abril de 2018

 

[GSK abre a aula]

 

GSK: Vamos dar sequência ao nosso trabalho ligado ao tema: o radar do guru. Acharia fabuloso se vocês puderem nunca mais esquecer esse semestre, porque estamos falando, explicando realmente, tudo sobre o que é esse radar. Como dizia Yogi Bhajan, “a pessoa que se coloca no radar do Guru não precisa contar com a sorte. Só os tolos contam com a sorte”. É um semestre em que a gente está realmente entrando em detalhes sobre esses aspectos, e se eu tivesse que falar qualquer coisa hoje eu teria que falar sobre o mecanismo que aciona o nosso sistema nervoso no radar. Se eu quero ter o som ligado, tenho que conectá-lo à energia elétrica, mas só isso não é suficiente, falta alguma coisa, falta o botão. Você tem que acender, tem que apertar um botão para aquela conexão acontecer. Com o nosso corpo é a mesma coisa.

 

Se nós quisermos estar nessa frequência, nesse radar do Guru como temos falado, não só temos que ter um bom sistema nervoso, porque o nosso sistema nervoso é o parâmetro do quanto estaremos dentro desse radar ou não. Vocês estão me entendendo? Um sistema nervoso fraco não suporta a quantidade de energia e de informação que tem no radar, e fica margeando, beirando o radar. Qual que é o mecanismo, então, além de ter um sistema nervoso forte? Fortalecer o sistema nervoso é o objetivo número um do Kundalini Yoga. O mecanismo, o interruptor se chama Corpo Radiante. O Corpo Radiante é tanto o reflexo de um forte sistema nervoso quanto o reflexo de quanto ele está inserido nesse radar. E esse é o tema do seminário de amanhã [Proteção Total com Na Satrai Na Mitrai], que vai ser para o Corpo Radiante.

 

O que que é esse tal corpo radiante? Por que nenhum outro sistema de yoga ensina esse corpo radiante? A história é que foi preciso romper com toda uma tradição bramânica para poder falar para pária que o corpo radiante é o interruptor. Do contrário você manda a pessoa entrar numa sala e fala: aqui tem energia elétrica e tem lâmpada, mas não diz onde estão os interruptores. Não adianta nada os sistemas de yoga que dizem para as pessoas que existem poses, mudras e que esse trabalho se dá dentro do sistema nervoso, e especialmente dentro do sistema nervoso central, se não disser como fazer isso. A história da soberania do indivíduo, a história da não necessidade de você contar com a sorte, de você ser aquele que caminha o seu próprio caminho de forma vitoriosa, depende desse interruptor que é o corpo radiante. E a aula de hoje é um ajuste. Ele dá um nome pra essa aula que é "Natural adjustment", um ajuste natural. O tempo todo o que o kriya vai fazer é conectar o plexo solar, o terceiro chacra, ao nosso décimo portal. Vocês estão com alguma pergunta?

 

Turma: Silêncio.

 

GSK: Eu tenho uma pergunta para vocês antes começarmos. Vocês acham que o corpo radiante é um privilégio, existe uma autorização para que a gente trabalhe o corpo radiante e que ele se desenvolve plenamente só em pessoas boas? Pra todo mundo está claro que isso não acontece, né?! Tem muita gente ruim com o corpo radiante grande. Não existe um dogma que projete gente ruim de ter um corpo radiante grande porque o corpo radiante leva a gente para o radar do guru, só isso. E o que mesmo que a gente encontra no radar do guru para poder fazer o ajuste? Quando a gente está desalinhado o que a gente encontra?

Turma: O desafio.

 

GSK: Qual foi o termo que a gente usou aqui?

 

Aluna: Abalo sísmico.

 

GSK: Abalo sísmico. Para vocês saberem: todas as vezes que a sua vida é um abalo sísmico atrás do outro, alguma coisa está desalinhada no seu sistema de valor. Alguma coisa está desalinhada. Ou está desalinhada na sua comunicação, ou no sistema de valor e você tem que passar pelos tais abalos. Pessoas que são, do ponto de vista ético, antiéticas e com forte corpo radiante são pessoas muito manipuladoras e totalitárias. Essas pessoas resistem. Por que elas não passam por abalos sísmicos, embora eles aconteçam? Por que elas refutam a realidade e a sombra, elas não querem se entregar. Quanto mais ela está enclausurada, mais ela refuta o abalo e mais ela reafirma sua condição totalitária e abusiva. Isso tanto nas nossas relações pessoais, quanto nas nossas relações institucionais, quanto nas nossas relações políticas. Não tem outra saída a não ser a entrega para o abalo. A segunda saída que temos para podermos ter certeza de que vamos entrar nesse poder do radar do guru e que vamos nos manter livres de abalo sísmicos, vocês sabem qual é? É uma coisa maravilhosa: é a ética, são os valores. 

 

Kriya: Ajuste Natural, do manual Reaching Me in Me

 

Meditação do Kriya

 

GSK: Quero fechar a aula com uma outra chave de compreensão desse processo todo que temos nos dedicado nessas sextas-feiras de manhã. Para o pessoal que está entrando aqui pela primeira vez hoje, a gente tem trabalhado o que é estar no radar do guru e hoje ganhamos uma compreensão importante. Mas a compreensão não é tudo, não é nem a metade do caminho. Não sei nem se compreensão é o caminho. Nada adianta se a gente não fizer, não agir realmente. Mas tem outro elemento da compreensão que talvez estimule a gente a pensar, refletir e agir. O que nós falamos hoje é que essa coisa, essa chave seria o interruptor. O interruptor seria o que mesmo?

 

Turma: O corpo radiante.

 

GSK: Ligar o interruptor é muito importante, senão você não tem a luz. Mas uma das coisas que mais impedem a gente de ligar o interruptor, de assumir plenamente o nosso corpo radiante ou a nossa radiância é um tipo de medo que vem do egoísmo. Primeira coisa quando Guru Nanak vai falar no Sidh Gohst, quando ele discursa pros yogis lá em Varanasi, um dos yogis fala assim: o que que eu tenho que fazer para acessar essa radiância que você está dizendo que está em mim já? Eles perguntam muitas coisas interessantes, como, onde estava a mente quando nada existia? Onde que fica esse tal do Shabad que você está dizendo? Vocês sabem, os yogis estavam atrás da tal iluminação. Eles se mortificavam, negavam o próprio corpo, negavam a própria experiência da matéria pra poder experimentar a liberação. Mil anos antes do Guru Nanak, Buda já tinha vindo e já tinha morrido para isso. Não adiantou Buda ter vindo, ter morrido. Tampouco adiantou Cristo ter vindo, ter morrido. A história continuava a mesma e ainda continua a mesma. Então pra onde que você tem que ir na verdade para poder não negar a si e achar essa tal própria luz? O Guru Nanak dá uma resposta muito diretamente em três frases. Ele começa dizendo: primeira coisa, você precisa deixar de ter medo de não ter você mesmo a sua própria proteção. Esse medo, que é "eu não estar garantido", é o primeiro elemento que nos tira do fluxo da nossa radiância.

 

Esses yogis tinham medo de morrer sem ter descoberto. E porque eles tinham tanto medo de morrer sem ter descoberto, eles se enclausuraram numa forma que os impediam que morressem, e eles não morriam. Eles viviam anos e anos e anos. Eram aqueles velhos que iam ficando aquelas coisas longilíneas, que não morriam e tão pouco iluminavam. O primeiro elemento que Guru Nanak fala é esse medo de você não estar em você mesmo completo. Esse medo se demonstra para a gente de várias maneiras, não pensem vocês que isso é coisa só dos velhos yogis lá de Varanasi não. No nosso encontro Khalsa para Mulheres lá em Anandpur, em um dos nossos grupos de trabalho, esse medo apareceu de uma maneira muito curiosa. Ele apareceu no medo da justiça, não no medo de ir para o xilindró, não é essa história. Apareceu assim: “se eu fizer justiça, se eu servir ao outro, se eu for um elemento vivo da justiça quem é que vai ser um elemento vivo da justiça pra mim? Quem é que vai me servir?” Esse é o medo mais capcioso porque ele tem um elemento aí que é uma lógica em que se ninguém me garante porque que eu vou garantir o outro?

   

Esse medo, nos tempos modernos, reflete assim em nós. Nos yogis do rio do Ganges em Varanasi, ele se refletia no medo de morrer sem ter iluminado. Tem gente que tem medo de morrer sem ficar rico. Existem vários medos. E Guru Nanak fala: esse é o primeiro elemento que precisa sair. É esse medo de em mim eu não estar garantido. Medo de ficar sozinha, medo de não casar, medo de morrer casado, medo de ser professora eterna de Kundalini Yoga, medo de tudo! Esse medo que assola a gente, de estarmos presos, como se alguma coisas pudesse nos libertar que não fosse algo que residisse em nós. É isso que está justamente nessa cadeia de pensamentos. Como é que eu me libero disso?

 

Guru Nanak explica que a primeira coisa a fazer é se liberar do medo e os yogis perguntam se libertarem do medo. Com o Shabad. É muito bonito, é muito simples, é muito científico. A primeira coisa é se libertar do medo. E isso explica muito bem o fato de quando a gente é corajoso, absolutamente destemido, a gente é totalmente protegido. Vocês conhecem isso, vai tudo dando certo. Dá um tanto de coisa errada, óbvio. Mas ao final dá tudo certo. O elemento do destemor é importantíssimo para quando vocês chegarem em determinado momento da vida de vocês poderem contar para os seus alunos a sua própria história e dizer “enquanto eu tive medo eu estava presa e nada dava certo e quando me abri, quando fui destemida, eu fazia tudo errado, mas tudo dava certo”. É o errado que dá certo e que as pessoas chamam de sorte, mas isso não é sorte. Isso é estar no radar do guru. Por isso que estar no radar do guru não pressupõe que você saiba que está no radar do guru, não pressupõe nada. Não pressupõe fazer Kundalini yoga.

 

Aluna: Gurusangat, esse coisa de não ter medo pode ser relacionada com as mentes também? Como, por exemplo, ter mente positiva demais?

 

GSK: Pode, mas não é só ter mente positiva. Essa é uma boa pergunta. Quando a mente positiva conduz o destemor é algo muito perigoso porque ela não tem noção de limite nem negociação. A história do destemor é um elemento da mente positiva temperada pela mente neutra. A mente positiva sozinha vai levar a gente pro buraco com certeza. Se você conhecessem meu pai, vocês iam saber. Ele é o exemplo clássico da mente positiva que foi pro buraco. É preciso uma mente positiva ponderada. Qual o elemento importantíssimo na mente positiva para o destemor? A esperança, a visão de futuro. E a mente neutra é quando você vai construindo esse caminho negociando, planejando. Não existe destemor sem planejamento. Você tem que pelo menos saber aonde quer chegar. A beleza está em você conhecer profundamente essa nossa estrutura energética. É lógica, é uma coisa muito lógica, do nosso temperamento neuro-hormonal. Conseguimos explicar muitas coisas quando começamos a estudar Kundalini Yoga nesse nível e com a ajuda dos instrumentos do dharma. O que nos estamos fazendo esse semestre é isso: compreendendo onde essas coisas se juntam.

 

Isso me lembra uma pessoa que me escreveu nessa semana dizendo que está lendo um livro em que falo de empreendedorismo e liderança, que ela entende que isso não deve ficar nessa escalinha. Mas esse tipo de coisa não existe assim à toa. É assim porque nós compreendemos o processo numa escala, que é aquela em que crescemos organicamente. Não tem beleza nenhuma em a gente crescer exponencialmente e deixar muitas coisas para trás. Porque todo o crescimento exponencial, quando as coisas não vêm juntas de forma orgânica, é semelhante a quando o Guru Nanak fala para os yogis do Sidh Gohst: vocês têm dentes de cera e querem morder um aço. O processo tem que ser orgânico. O crescimento desses ensinamentos, que fazem tanta diferença no mundo, tem que se dar comigo e com vocês. Por isso que a gente cria esse espaço na sexta-feira para construir essa compreensão coletiva e daí partir para os nossos alunos. É um negócio lento e tem que ser lento mesmo. Trata-se de construirmos juntos. Acho que o momento do país exige isso de nós, senão a gente corre o risco de sair fazendo diagnósticos rápidos demais sobre ambos os lados.  

 

[Transcrição: Devaroop Kaur]

 

 

 

 

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