[GSK] O portal para a prosperidade

24 Jul 2019

 Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 14 de junho de 2019

 

[GSK abre a aula]

 

Chamaria essa aula hoje de espetacular. Estamos inaugurando o trabalho para o triângulo superior, para restaurar o sagrado. Trabalhar o triângulo superior é a coisa mais fácil que existe na vida. Difícil é no Kundalini Yoga, porque trata-se de poses, e o triângulo superior requer poses desafiadoras para manter o sistema nervoso desperto e forte. São poses isotônicas, em que mantemos uma posição por muito tempo.

 

No Yoga, trabalhar o triângulo inferior é mole. Temos apenas que trabalhar a parte de ângulos e triângulos e fazer essa energia subir. Qual a dificuldade de manter a perna a 60 ou a 90 graus? É mole. Mas na vida é bem duro, o triângulo inferior é um campo de muito sofrimento. Quem só perambula pelo triângulo inferior passa a vida arrastando correntes e achando que tudo está uma maravilhazinha. E o mundo inteiro sabe onde aquela pessoa está.

 

Quero mapear como na vida o triângulo superior é bem fácil de ser trabalhado. Ele se sustenta em duas atividades que não têm absolutamente nenhuma relação direta com o corpo físico. Essas duas atividades nos levam para aquilo que mais almejamos na vida. A primeira atividade é Seva, o servir. A segunda é Simran.

 

Simran não é apenas o ato de sentar e meditar. Simran é o resultado da meditação. É meditar o suficiente para que se siga meditando mesmo ao sair da meditação. Aconteceu comigo nessa noite. Acordei no meio da madrugada e estava em Simran. Sei disso porque  falava: “Wahe Guru”... “Ram Das Guru”... Estava com Guru Ram Das e me veio uma linda história na cabeça, que contarei depois. Simran é estar numa tal frequência de meditação que ela permanece na vigília e também no sono.

 

Estes dois conceitos tomamos emprestados do Kundalini Yoga do Sikh Dharma: Simran e Seva. É uma qualidade especial da meditação e é uma qualidade especial da existência. Estas duas atividades abrem instantaneamente o portal para o triângulo superior, que é o coração. Quando essa ponte é aberta, é uma questão da física. Se nos colocamos a serviço e se nos colocamos em Simran, é necessário que o prana do triângulo inferior suba. Não temos que fazer nada mais além destas duas coisas. A consequência é simplesmente aquilo que a maioria das pessoas busca na vida: prosperidade.

 

Entretanto, a prosperidade que vem de Simran e do serviço não é uma prosperidade como estamos acostumados a ver na Era de Peixes, em que prosperamos tanto que vamos nos afastando das pessoas – onde um ganha o outro perde. Não. Esta prosperidade que vem é a de nos tornarmos um canal para facilitar a prosperidade de todos os outros. Isso é o triângulo superior. A prosperidade é uma consequência deste trabalho. É isso o que estamos inaugurando hoje.

 

O que acontece com essa sangat? Praticamos muito Seva, isso já faz parte do nosso metabolismo. As pessoas estão atrás de prosperar, de encontrar um marido, uma mulher... tudo isso que faz parte de sentir-se ajustado na vida. Cada um tem um desejo. Mas precisamos buscar coerência. Não é uma coerência política. É entrar em coerência cardíaca, quando coração e cérebro estão funcionando numa mesma frequência.

 

Buscar coerência na nossa prática é buscar a coerência de Simran. Falta essa coerência quando Simran está acontecendo somente nos momentos em que meditamos. Nos momentos em que enfrentamos um bafão social, uma turbulência fora do nosso espaço meditativo, se não estamos em simran perdemos tudo. Precisamos trabalhar coerência meditativa, a ponto de passarmos pelos conflitos e dificuldades em Simran.

 

Como sabemos se estamos em coerência meditativa quando passamos por uma turbulência? Quando na turbulência, ao sermos encontrados pelo finito, que é qualquer tipo de confronto que acontece, não esquecemos o infinito. Não esquecemos que isso vem para aterrar. A coerência em Simran pressupõe Pratyahara. Podemos xingar, espernear, mas tem um lugar em nós onde estamos completamente alinhados com as forças divinas. Podemos não compreender, mas não temos dúvidas. Isso é a coerência em si, isso abre o espaço meditativo para a vida. 

 

Somente estes dois elementos, Seva e Simran, podem abrir os canais de prosperidade. Se alguém abre estes canais, mas permanece com o conceito de prosperidade da Era de Peixes – eu tenho e o resto que se dane – já era. Isso vai ser retirado da pessoa, porque estes são os tempos aquarianos. Existe um pressuposto organizacional do universo que diz: chega de poucos prosperarem, chega!

 

Este é o caminho do triângulo superior. É fácil? Acho super fácil quando comparo com o triângulo inferior. Tenho horror do meu período de perambular pelo triângulo inferior achando que estava certa, nos meus 27 anos. Tanta manipulação, tanta dor, tanto sofrimento. É um casco rude, e a vida se colore com esse casco rude.

 

Kriya: Trabalhando a área do comando posterior, do Manual Infinity and Me

 

Meditação: Shiv Karni Kriya

 

A história que me veio nessa noite é a seguinte. Por três anos consecutivos fizemos em Belo Horizonte, no mês do Guru Ram Das, um tour chamado “Lord of Miracles”. Em um desses anos minha casa estava recém-construída e não havia nada dentro, apenas muitos hóspedes que chegaram para o tour. Depois de trabalhar o dia inteiro fui dormir e decidi que não acordaria para a sadhana na manhã seguinte. Mas na hora da sadhana acordei e saí da cama igual a uma bala. Em vez de ir para o banho fazer meu Ishnan, fui sendo chamada pela garagem, e pensava o que estaria acontecendo ali.

 

Todos na casa dormiam. Ao chegar na garagem a primeira coisa que vi foi o portão escancarado, o que era muito estranho, porque ele fechava sozinho depois de 20 segundos. Quando corri os olhos do portão para a garagem, vi que havia ali uma mulher jovem, com a mão apoiada no pilar, completamente nua. Ela devia ter uns 28 anos. Me dei conta de que estava grávida e bastante machucada. Ela tinha marcas de espancamento no corpo inteiro. A coloquei sentada, pus um roupão sobre ela e fui chamar a Kirn Jot. A trouxemos para dentro, chamamos uma ambulância e começamos a ouvir dela o que havia acontecido.

 

Nos contou que era prostituta. Naquela noite estava dentro do carro com um cara, quando ele começou a bater muito nela. Ela então saiu do carro em plena BR e veio andando por uns dois kilômetros até chegar ali dentro. Nessa época ninguém da sangat morava lá ainda. Ela tocou as campainhas e ninguém abriu. Foi descendo desesperada até chegar nessa casa cujo portão estava aberto. Quando enfim entrou, já não aguentando mais, eu a encontrei.

 

No mês de outubro temos a chance de servir em nome do Guru Ram Das. As coisas vão aparecer para que possamos servir. Acalentamos essa mulher, seu estado era grave. Liguei para sua mãe e soube que o cara com quem a garota tinha saído era um conhecido da família. Às vezes, no aconchego da nossa cama, não sabemos o que as pessoas estão passando lá fora. Ela foi tratada, voltou para casa, e a vida continuou.

 

Existem dois mecanismos de ativação desse alinhamento da vontade divina com a nossa vontade. Seva surge na nossa cara, na nossa porta, na nossa garagem. E Simran é a razão pela qual emitimos essas ondas e as vibramos, de modo a permitir que as pessoas em desespero possam nos localizar. Na tradição do Kundalini Yoga isso é ser farol.

 

É esse serviço que possibilita nossa prosperidade, para que os outros prosperem também.

 

"May the long time sun shine upon you..."

 

[Transcrição: Arjan Jot Kaur]

 

 

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