[GSK] Eliminando dor e medo

26 Mar 2020

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 21 de fevereiro de 2020

 

[GSK abre a aula]

 

Nos anos 80, Pâmela Saharah Dyson (Premka Kaur) processou o Yogi Bhajan sob o tema de abuso sexual. Esse processo é conhecido de quem fez formação há muitos anos atrás. Yogi Bhajan não aceitou fazer nenhum acordo e foi a júri. Quis levar o processo até o final, porque tinha receio de que, quando já não existisse mais e seus alunos soubessem que tinha aceitado um acordo, poderiam imaginar que ele fosse culpado.

 

O processo foi concluído, encerrado e arquivado. Sua inocência ficou provada. Depois, por duas vezes, Pâmela pediu para voltar para as instituições, para o trabalho que fazia, e foi aceita. Em 1999 ainda trabalhava no Dharma, depois saiu. Agora, quinze anos após a morte de Yogi Bhajan, ela lança o livro “White Bird in a Golden Cage” (Pássaro branco em uma gaiola de ouro). Esse livro recoloca todas as questões daquela época. Em um momento em que é impossível não darmos ouvidos.

 

Com todo movimento da mídia e o nosso compromisso de proteção sumária da mulher, as organizações sem fins lucrativos – o KRI, que certifica os cursos de formação em Kundalini Yoga, a 3HO, que produz o solstício e cuida das comunidades, e o Sikh Dharma, que cuida do Shabad Guru –, junto à Siri Singh Sahib Corporation, resolveram assinar uma nota conjunta com as empresas com fins lucrativos – o Yogi Tea, a Miri Piri Academy, a Granola Bars, a Akal Security –, afirmando que as alegações feitas por Pâmela são críveis.

 

Isso tem machucado muita gente. Vários alunos do Yogi Bhajan estão revoltados com o termo “críveis”, porque partem do princípio que já o condenaram. No Brasil, bem como na Europa, o Direito garante que somos inocentes até que se prove o contrário. Nos Estados Unidos não. Qualquer alegação contra uma pessoa já configura que ela é culpada e que deve provar sua inocência. Uma empresa de advocacia independente foi, então, contratada para realizar essa investigação. A empresa conhece muito bem tanto o Yogi Bhajan quanto os ensinamentos, a estrutura e os preceitos.

 

Diante disso, existem duas possibilidades. A primeira é que essa não passe de uma nova tentativa de assassinar o caráter de Yogi Bhajan. Ele teve muitos inimigos, inclusive no Sikh Dharma. Não só porque trouxe os ensinamentos, mas pela maneira revolucionária e não dogmática que ele trouxe o Dharma para o Ocidente. Yogi Bhajan quebrou diversas normas para colocar a mulher em uma posição de grande relevância. Não existe, no Dharma, uma posição de decisão que não esteja nas mãos de uma mulher. Na Índia isso é algo impensável. Lá, todas as posições de poder estão nas mãos de homens. A outra possibilidade é dele ter feito o que está sendo dito. E não queremos não olhar para todas as possibilidades.

 

Vocês não tiveram aula com Yogi Bhajan, mas tiveram aula com homens e mulheres de muita honra, que foram os primeiros alunos dele. Quem conviveu intimamente com Yogi Bhajan nunca viu nada disso. Todos eles têm o compromisso de preservar os ensinamentos – porque chegaram até nós de forma pura e são muito valiosos – e ir atrás da verdade. Ao descobrirmos a verdade lidaremos com ela, seja qual for. Ainda não sabemos o que faremos quando obtivermos a verdade. Construiremos isso juntos.

 

Quero contar uma coisa sobre o Yogi Bhajan. Encontrei com ele três vezes na minha vida e nas três vezes ele me confrontou. Era um professor. Nunca teve medo de destruir sua reputação para fazer seu trabalho. Muitas e muitas vezes ele confrontava de uma tal maneira que poderíamos pensar, por exemplo: “Cadê a compaixão?”. Ele dizia: “Vou ensinar com minha luz, mas se tiver que ensinar com minha sombra, ensinarei com minha sombra.” E muitos de nós fomos confrontados dessa maneira.

 

Hoje, algumas pessoas que não tinham realmente compreendido isso ou não tinham encontrado em si a luz, estão tendo uma boa chance de colocar sua amargura para fora, especialmente nas redes sociais. Muitas outras têm colocado para fora o amor, a compaixão e os depoimentos do quanto ele foi importante. E há também aquelas que estão em profunda dor e que não querem sequer ouvir falar que isso seja possível.

 

Do meu ponto de vista pessoal, nada do que é dito combina com o que conheci de Yogi Bhajan e com o que sei dele. Da minha experiência com ele, posso dizer que foi sempre de ultra respeito, compaixão e elegância. Mas não me dou o direito de falar que não acredito. Se digo que não acredito que ele tenha feito isso, estarei dando um depoimento que impede que outras coisas possam ser críveis. E não quero desacreditar de depoimento de nenhuma mulher.

 

É inegável que Yogi Bhajan conhecia o que viria. Ele morreu em 2004, mas nos deixou cartas, com orientações de quando deveríamos abrí-las. Cada carta que íamos abrindo era uma instrução para aquilo que estava acontecendo num dado momento. Recebi hoje alguns vídeos dele falando sobre o que viria. Talvez isso sirva para nós.

 

Faremos um trabalho dividido em duas partes. A primeira, a de hoje, é para eliminar dor e medo. Na segunda parte, na próxima semana, Yogi Bhajan vai falar de temas cruciais que levam muitas pessoas a lutarem umas contra as outras: dinheiro e conhecimento. Esperem pela semana que vem!

 

Kriya: para eliminar dor e medo  

 

Meditação: Chakkar Chalunee Kriya

 

May the long time sun shine upon you....”

 

[Transcrição: Sat Sundri Kaur]

[Edição: Nav Amrita Kaur]

 

Tags: aulas gurusangat  relação compaixão dez corpos  entrega vichar  

 

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