[GSK] Conectando com sua fonte infinita de energia

4 Sep 2017

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 11 de agosto de 2017.

 

[GSK abre a aula]

 

Tenho algumas notícias para compartilhar com vocês. Imaginei que essa fase da minha vida já tinha passado, que é a fase de eu ir para a Pubmed. O Pubmed é um formulário de registro de publicações científicas na área médica em que a gente faz um levantamento de material para pesquisa, para consolidar projetos e investigar. E vou ao Pubmed desta vez com Kundalini Yoga. Existe uma série de artigos de duplo-cego, investigações de duplo controle, que em outras palavras quer dizer: investigações cujos resultados são realmente significantes do ponto de vista científico. Nada que nós yogis já não soubéssemos, mas é muito bom ver as coisas aparecerem em alguns setores da academia. Temos três artigos recém-publicados, um inclusive do Hospital Albert Einstein, não é do Rodrigo Yacubian, e foi matéria da Folha de São Paulo há um mês, mais ou menos, sobre o efeito do Kundalini Yoga no lobo frontal e também numa região de controle hipotalâmico. Isso é tudo que um ser humano almeja para sair de um automatismo, de uma resposta automática em relação ao estresse. Isso é uma cunha muito importante para podermos fazer uma virada de página nas doenças degenerativas cerebrais. Não estou falando só de Alzheimer, estou falando de Parkinson e uma série de doenças em que as causas são multifatoriais. O fato é que o cérebro perde elasticidade, e nesse processo ele perde a capacidade de se renovar. E é justamente aí que o Kundalini yoga entra. Então é fascinante ver isso comprovado em estudos importante, e nós estamos começando fortemente uma nova etapa. Eu acho que nos próximos cinco anos, vamos nos dedicar demais a isso, e  há possibilidade do Abaky Planeja ser colocado diante de um megaprojeto de pesquisa em que a USP está pedindo nossa colaboração.

 

Hoje nosso kriya vaio ser sobre isso. Eu tinha escolhido na semana passada e é para o lobo frontal. Eu quero que vocês experimentem isso com grande convicção de que ele funciona, para que vocês compartilhem com seus alunos. Vamos lembrar a importância do lobo frontal. Vocês seriam capazes de lembrar rapidinho? O Yogi Bhajan dizia que o Kundalini Yoga é dedicado ao lobo frontal e ao hipocampo. 

 

Aluno: O sentido de identidade. 

 

GSK: Não só o sentido de identidade, mas a projeção do que você quer ser no futuro. Essa é uma boa característica. Alguém lembra uma segunda?

 

Aluno: Tomada de decisão. 

 

GSK: Tomada de decisão baseada em quê? 

 

Aluno: Na consciência.

 

GSK: Isso mesmo, mas como? Tomada de decisão livre, porque é o lobo frontal que controla o impulso. Não adianta vocês só falarem da tomada de decisão. É preciso explicar que ele controla o impulso. Você tem uma tendência, um impulso de fazer alguma coisa, porque é bom ou porque te protege, porque você está assim ou assado, independente de ter um arrazoado ou um tipo de intriga mental te justificando a tomar uma decisão com base no seu impulso, vem o seu lobo frontal e diz não. A tomada de decisão para você construir a sua identidade com base naquilo que você acha importante, de acordo com os seus valores, não aquilo que você acha necessário. 

 

Aluno: É baseado na ação e não na reação. Uma ação com intuição, com presença.

 

GSK: A intuição vai ter de ser desenvolvida, é um tipo de inteligência que perambula pela região do lobo frontal, mas não é do lobo frontal. Se vocês disserem isso, não é correto. Vocês podem dizer que o lobo frontal controla impulsos, para você não reagir ou não agir no automático. E você constrói a sua identidade com base nisso. No Kundalini Yoga, tudo que nós fazemos é para o lobo frontal e para o hipocampo, que é a região que habitua e desabitua.

 

Kriya para o Lobo Frontal, do manual Transformação 1

Meditação: Conectando com sua fonte infinita de energia

 

Vocês precisam pensar na qualidade da energia de vocês. Isso é fundamental e eu vou explicar: vocês não podem enfrentam o aluno ou o paciente ou quem quer que te procure com a cabeça. Realmente tem uma parte do trabalho que é feito com a cabeça, ou seja, com conhecimento, com explicação, com racionalização. Mas tem uma outra parte do trabalho que é feita com energia, e é no momento em que alguém chega e diz que está precisando de você. Nesse momento, é depositada em você toda a negatividade. Isso não é intencional, é uma aura, é um campo eletromagnético frágil, abalado, que ao encontrar um campo eletromagnético expandido se nutre. Então vocês vão cada vez mais secando e é claro que vocês não podem secar. Vocês não podem aparecer na sala de aula abatidos, sem energia. Então vocês se seguram num lugar que o Yogi Bhajan chama de autoestresse. É um lugar em que você não tem energia, mas tem de segurar. E a melhor coisa que a gente faz quando estabelece o autoestresse é a autocura, então essa meditação é para restabelecer essa projeção interna de energia. É para um momento em que você está usando só a cabeça e esquece de que você tem muito mais coisa para usar e o seu campo energético mina. E você cai numa estafa. Vocês não podem cair em estafa.

 

Eu acho muito problemático um professor de Kundalini Yoga que dá mil cursos por aí não aguentar 11 minutos nessa meditação. Significa que vocês não estão de posse dessa força do plexo, mas vocês têm que estar. É para ser usada quando vocês menos esperam. No meu quarto dia de cirurgia, eu disse que precisava fazer sadhana. Se eu tivesse sucumbido e não tivesse usado essa energia, eu não daria conta porque eu não tinha físico nenhum. Essa energia é que restaura a nossa identidade. Recomendo 11 minutos, todos os dias. Nós usamos o mantra Pavan, mas vocês podem usar outro. Só não usem o Har. Façam a própria contagem de vocês. 

 

Quero contar para vocês uma história do Siri Guru Granth Sahib. Tem um menino chamado Pralad no Siri Guru Granth Sahib, que é super aquariano, mas viveu no Século XIII. O pai dele, Ranakash era um devoto de Ram, um hindu, que tinha feito uma super sadhana a ponto de ele conseguir ver Deus e Deus dizer a Ranakash que poderia ter o que ele quisesse. Então ele falou que queria ser Deus. Esse é o pressuposto do Ranakash. Então chegou a época de Pralad ir para a escola. E a mãe dele, Lakshmi, falou ao filho que ele só aprendesse aquilo que a escola lhe ensinasse. Então o menino pegou a louça e o carvão e foi para a escola. Ele tinha dois professores e pediu que ensinassem a ele o nome de Deus. Ele só queria aprender o nome de Deus. Um professor falou que na escola ele não aprenderia aquela bobagem. Então Pralad disse que se não aprendesse o nome de Deus, nome da família dele seria maculado. Ele disse que via Deus em tudo, então por que não poderia aprender a escrevê-lo? Ele causou um problema na escola, e os professores foram até Ranakash e disseram que o filho dele era um desastre, que ele tinha corrompido toda a escola e os meninos só queriam aprender o tal do nome de Deus. Eles não poderiam permitir aquilo e disseram que Ranakash teria de dar um jeito. Então ele falou aos professores que ensinassem o seu nome, pois ele era Deus. Os professores disseram que não ensinavam essas bobagens. Quando Pralad chegou em casa, seu pai lhe disse que ele teria de aprender apenas o que os professores lhe ensinassem, mas o menino disse que só queria aprender a escrever Ram, que ele queria ler e meditar em Ram o dia todo. O pai então disse que não, o nome era Ranakash. Mas o menino respondeu que o pai era muito amado, mas que Deus era Ram. Ranakash então disse que se o filho não aprendesse o que os professores ensinavam, iria dar um lição no filho, para ver o que o Deus dele faria.

 

Pralad tinha causado um desastre na escola e tinha exacerbado, como é dito no Guru, as emoções demoníacas. Mas o demoníaco não é um capetão, é o nosso lado egoísta, o nosso lado Ranakash. Aquele nosso lado que acha que o outro tem de prestar homenagem ao que a gente acha que é, o ego. A mãe de Pralad com medo do pai se calou. Ranakash deu uma surra no menino, como se faz na Índia, vocês nem podem imaginar como batem em criança lá, meteu o menino num calabouço e falou que queria ver o Deus dele salvá-lo. Pralad falou que via Deus em todos os lugares, dentro do calabouço, no próprio pai e nele mesmo. E continuou a pedir para aprender o nome de Deus. O pai voltava ao calabouço diariamente e via o menino sempre do mesmo jeito, pedindo para o pai admitir que Deus estava em tudo. Mas o pai dizia que o menino não sairia daquele lugar, que morreria lá. Mas Pralad dizia que não tinha dúvidas de que Deus estava com ele e que se ele tivesse de morrer ali, Deus morreria com ele. Houve então um terremoto, as estruturas da casa se romperam e um grande pilar que sustentava aquilo tudo matou Ranakash na hora. Pralad se liberta e tem a visão daquela figura da mitologia indiana, aquela mulher assentada num tigre, Durga, a mãe divina, que acabou com aquele demônio. Todo mundo foi embora com medo, mas Pralad perguntou a ela se ela era Deus. Ela respondeu que era Deus também. Ele pediu para restaurar a vida do pai e perdoá-lo. Ela respondeu que a travessia de Ranakash tinha sido feita, e que ele voltaria para pagar os carmas. Então o menino perguntou o que ele poderia fazer pelo pai. Durga respondeu que ele poderia entoar o nome de Deus e escreveu Ram na louça. 

 

Quando vocês estão presos em seus demônios, tudo que vocês usam é o intelecto. Se ao invés disso, vocês usarem a devoção para se conectar com o fluxo de Deus em tudo, sem que você tenha que pôr a sua marca naquilo que você acha que merece ter a sua marca, vocês estão protegidos. Essa história está em vários momentos do Siri Guru Granth Sahib explicando que se conectar com o desejo da sua alma realmente é a sua salvação, é o seu portal de libertação. E quanto mais você estiver preso nos desejos do seu ego e nas suas interpretações filosóficas, nas suas interpretações religiosas, nos seus rituais vazios, mais vocês estarão perto de voltar mil vezes para reaprender. Essa aula de hoje libera vocês desses impulsos demoníacos

 

May the long sun shine upon you

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