[GSK] A rebeldia e a complacência

7 Aug 2018

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 13 de Julho de 2018

 

[GSK abre a aula]

 

[GSK] Nossa aula de hoje é do manual “Reaching Me In Me” e se chama “Para os tattvas, as costelas prânicas e o sistema nervoso”. Na kundalini yoga, sempre trabalhamos a sétima e a oitava costelas. Kirn Jot gosta demais de dar na formação kriyas para a sétima costela, que tem propósito de ativar a criatividade. E a oitava, que trabalhamos na semana passada, é uma região em nós que guarda um prana. Cerca de dois dedos abaixo das omoplatas, está a oitava costela, onde tem um dispositivo muito importante de prana que é colocado a nossa disposição. Isso é o que Yogi Bhajan chama de costelas prânicas: aquelas que não têm inserção na coluna vertebral e cujo papel é ganhar mais mobilidade para fazer o prana ser distribuído.

 

Tem um cara que escreveu um livro chamado “Uma pequena história sobre quase tudo”. É, para mim, um dos livros mais incríveis e mais bem escritos sobre a história de quase tudo. Ele começa de uma forma muito peculiar, dizendo que se você chegou até aqui então "parabéns", porque não deve ter sido fácil. Ele vai descrevendo porque não é fácil estarmos onde nós estamos. O ponto de vista que ele traz é que é genético tudo que nós tivemos que passar pra chegar até aqui. Tem um momento que ele diz: imagina a partir de você, quantos casais não tiveram que primeiro sobreviver, depois encontrar o momento certo, depois encontrar a pessoa certa, para que eles poderem ter um momento único, talvez não necessariamente de grande amor, talvez de grande sofrimento, e nesse momento único, eles copularam, e foi dando certo e dando certo até um momento em que “pimba!”, você existe!

 

Se pensarmos nessa perspectiva de que nós somos o resultado de pessoas que insistiram e sobreviveram, é muito única essa forma de pensar. Porque se nessa linha sucessória alguém tivesse desistido, sumido do mapa, tirado férias, nós não estaríamos aqui. E essa aula é nessa perspectiva. Muitas vezes, quando nessa vida, podemos fazer alguma coisa por nós, que faça minimamente sentido e, se aquilo que faz sentido para você puder fazer sentido para o mundo, você então estabelece uma linha sucessória entre você e o mundo, não necessariamente uma linha sanguínea, mas uma de legado.

 

Consideramos muitas coisas como importante, mas nem todos nós estabelecemos uma relação de transmissão de legado. Porque para isso acontecer, algo vai ser exigido de nós, da mesma forma como exigido de nossos antepassados, que é persistência, mantendo-se firme no propósito. Essas duas coisas, persistência e manter-se firme no propósito, são as coisas que mais derrubam o ser humano. Por isso, ele dá os parabéns, porque muita gente desiste no caminho.

 

No mínimo essa aula nos convida a olharmos para nós como resultado de um legado e como a vitória de pessoas que não desistiram e não sucumbiram nesse perímetro evolutivo, para que pudéssemos cada vez mais ter clareza do nosso propósito e termos compromisso com ele. Esse é o teste que o kundalini yoga quer nos colocar a prova. Falando assim parece óbvio. Qual é o problema de estar, por exemplo, no mundo fazendo yoga para unir meu corpo com a instrução da minha alma? Qual é o problema? Isso é divino! Todo mundo quer! Mas todo mundo esquece que quando você abraça o propósito de sua alma, existe uma fase muito difícil para você e para tudo que te cerca que é a fase dos testes. Porque da mesma maneira que nossos antepassados foram testados pelas circunstâncias, nós seremos testados pelo tempo.

 

Yogi Bhajan tem uma frase muito bonita que é “quando você caminha no caminho da espiritualidade, uma coisa muito essencial que você precisa ver é a mão de Deus”. Porque vão existir momentos nessa nossa jornada que nós não vamos conseguir explicar. E nós seremos testados tanto na nossa zona de conforto que, para nós, vai ser mais interessante ter dois elementos que também fazem parte da nossa psique: a complacência e a rebeldia. Esse é o tema dhármico da aula de hoje.

 

Vocês todos são pessoas muito inteligentes e muito do seu tempo. Quando vocês escutam essas palavras complacência e rebeldia, muitas entendem que hoje existe um certo apreço pela rebeldia e apreço nenhum pela complacência. Mas quando nós somos testados pela circunstância e pelo tempo, e somos testados no nosso compromisso de carregar um legado nosso para o futuro, através de todo tipo de constrição, todo tipo de constrangimento, todo tipo de  pressão, a revolta e a rebelião é muito mais fácil. E nós nos rebelamos todas as vezes que sentimos que o tempo e o meio provocam uma pressão tão grande que aparentemente nos tiram um elemento fundamental, que nos fazem rebelar. Alguém sabe qual é esse elemento?

 

[GSK] A liberdade. Todas as vezes que na pressão do tempo, na pressão do outro sobre mim, enquanto carrego meu legado, o tempo me pressiona dessa maneira, a pressão está sendo entendida como muros contra a minha liberdade – então eu me rebelo. Eu me rebelo tentando afastar todos esses muros. Por outro lado, quando não existe muro algum e eu encontro uma moral que justifica poder perambular no universo dos meus desejos, imediatamente saco da minha lista de recursos o valor da complacência. Nesse momento eu vivo determinadas situações que sei que não deveria viver, faço determinadas coisas que sei que não deveria fazer, mas faço porque aparentemente elas justificam eu navegar pelo universo sem fronteiras dos meus desejos. 

 

Então, pessoas muito boas, muito rebeldes, muito além do seu tempo, também se comportam complacentemente – quando aquilo justifica, para ela, estar na sua zona de conforto. Se vocês quiserem, de fato, legar para o mundo a experiência de ter sobrevivido em uma viagem que é unir o corpo e o espírito, onde o espírito tem a função de primordial de purificar sua mente e seu corpo para deixar um legado na era de Aquário, que é de clareza mental, vigor e retidão, você precisa saber que existem duas qualidades que serão vivas em você e que você vai se submeter a elas todas as vezes que for pressionado: a complacência e a rebeldia. E essa aula lida com esses dois elementos. Qual seria a solução? Tem que ter uma ideia.

 

Imagina essa situação. Duas pessoas caminhando. Você olha essas duas pessoas caminhando e não as conhece. Aparentemente parecem semelhantes. Ou seja, elas se vestem de forma semelhante, elas aparentemente são pessoas do seu tempo. Poderia ser eu e vocês, caminhando em uma rua. Você olha para essas duas pessoas e não sabe que uma delas vive o drama da complacência e da rebeldia. Ora, quando se sente comprimida, ela tende a se rebelar, e ora, quando encontra espaço, ela tende a ser complacente, ainda que comprometendo os seus valores. Sacaram isso?

 

A outra pessoa não passa por esse teste do tempo porque ela, na verdade, não tem como referência nem o tempo e nem as circunstâncias. A referência dessa outra pessoa só pode ser uma coisa. Só pode ser o legado e o espírito. Da mesma forma que uma mãe, por exemplo, quando olha para seus filhos, não se relaciona com eles no tempo e na circunstância – ela se relaciona com o futuro –, de forma alguma ela sucumbe ao teste do tempo. Tem mães que sucumbem, mas tudo bem, estamos falando em tese.

 

Quando esse ser humano que não se relaciona com a vida dele no tempo e na circunstância, ele tem que se relacionar com alguma coisa. E essa alguma coisa é o legado e o espírito. Não existe saída na era de aquário. Se nós quisermos sobreviver e deixar um legado, precisamos nos relacionar com o legado e com o espírito. Quantas vezes um professor tem que ter o seu coração quebrado? Muitas vezes. Quando ele vê os melhores alunos, os de maior potencial se relacionando com o tempo e com a circunstância e não com o legado e com o espírito. Mas é uma jornada... E muita gente cheia de potencial sucumbe por causa do medo de não estar livre. Todas as vezes que o medo de não estar livre estiver vinculado a você e aquilo que te aprisiona, você está preso às circunstâncias e ao tempo das circunstâncias. Aquelas pessoas que têm medo de não serem livres, já estão presas. Por isso que a relação tem que ser com o legado e com o espírito.

 

Se você tiver medo de estar preso em alguma coisa, se você tiver medo de perder sua liberdade com alguém, com uma coisa, acabou. Você mesmo já é preso. Então todo o potencial se esvai. Quando vocês encontram uma pessoa que realmente é inteligente e realmente vê isso acontecendo, a cena é patética. Porque a pessoa tem que ver o potencial se autoaprissionando no tempo e na pressão das circunstâncias.

 

Kriya: “Para os tattvas, para as costelas prânicas e para o sistema nervoso”, do Manual Reaching me in me.

Meditação: Sat Nam Rasayan

 

May the long time sun…

 

[Transcrição: Tarkash Kaur]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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