[GSK] A corte sagrada

1 Aug 2014

por Gurusangat Kaur Khalsa

 

Os Gurus Sikhs e seus alunos esposaram e ensinaram a liberdade e a igualdade, não apenas para os homens mas principalmente para as mulheres. Em uma região do mundo onde os homens tinham e ainda desfrutam de privilégios imensos: educação, melhor comida, controle político, o Dharma do Guru Nanak ameaçou de fato suas vidas fáceis e cheias de regalias. Os Sikhs definitivamente foram os que chacoalharam os alicerces cultural da era moderna.

 

Como Aurangseb, que pensou poder destruir o hinduísmo na Índia convertendo todos os respeitados Cashmeres pandits, os jihadistas, fossem eles Mongóis, Persas ou Afeganos, também pensaram que ao destruir ou contaminar o Darbar Sahib – ou Golden Temple –, eles quebrariam a coluna dorsal dos Sikhs e os derrotariam, para ter sob controle a força livre deste Dharma.

 

Ao longo dos anos o Golden Temple sofreu muitos ataques, e teve seu Sarovar (lago cristalino de águas frescas) preenchido e contaminado com as carcaças de animais e seres humanos abatidos. Mas, como os lendários templos da China e do Japão, que foram demolidos e reconstruídos para garantir sua continuidade, o Golden Temple também se reergueu.

 

O Golden Temple tem uma arquitetura única e bela. Ele erguer-se das águas diáfanas de seu Sarovar, e suas paredes superiores, decoradas com placas de ouro, recebem ao alto o Dome – a abóboda em forma de Flor de Lótus – que reflete os raios do Sol e os espalha para o Infinito. O Sarovar é cercado pelo Parikarma, uma ampla e bela promanade em mármore decorada com pedras preciosas, por onde todos que ali chegam caminham em sentido horário. Circular ao redor do Sarovar em estado contemplativo antes de atravessar a ponte para o Templo é tido como uma forma de profunda limpeza e renovação. O Shabd Guru entoado de dentro do Templo ecoa através dos autofalantes pela promanade, e as águas límpidas ampliam sua frequência, fazendo com que as pessoas recebam os benefícios do Naad, o som primordial.

 

Guru Arjan planejou o Golden Temple com o recurso de uma arquitetura sagrada. Não apenas a flor de lótus ao topo, onde subentende-se ser o décimo portal, mas todos os chakras estão precisamente estruturados da base do templo até sua parte superior, onde os minaretes embelezam e garantem o fluxo da energia da Terra em direção ao céu. O templo foi desenhado para servir a todos, independente de limites religiosos, de classe, casta ou gênero, e por isso ele fez questão de ter quatro portais de entrada garantindo acesso a todos, de onde quer que venham.

 

Na época de sua construção, um famoso santo Sufi muçulmano chamado Hazrat Mian Mir foi convidado pelo Guru para assentar a pedra fundamental e dar início às obras, afiançando desde modo, desde seu nascimento, o compromisso à causa da paz, da diversidade e da irmandade entre todos.

 

O Golden Temple tem sido desde então o santuário vivo que ensina a todos superar as diferenças em paz e projetar e reconhecer o divino em tudo e todos.

 

Wahe Guru.

 

Belo Horizonte, 1º de Agosto de 2014.

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